quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

nosso clima de ano novo?!


As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam supertições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não têm cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.

Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.

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------> "os ninguéns" - texto de Eduardo GALEANO.

nosso clima de natal


1ª questão)
Tsc + Tsc + Tsc = Não saberia definir o natal. Mas mora em mim a certeza de que todos ficam diferentes nesses dias.

2ª questão)
Uns empolgados + Outros revoltados
= Muitas-missas-festivas e Empurrão-no-papa.

3ª questão)
BOXE INTERNACIONAL!
Jesus X Papai Noel!
Vence quem sair vermelho e com o saco inchado!
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AH! Esse clima clericalíssimo! Dou vivas ao Mário Quintana!

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

ABZ do Rock - de Arnaldo Antunes


É muito difícil definir o rock hoje. Qualquer generalização classificatória parece insuficiente. O rock é um rio de muitos afluentes. Heavy rockabilly punk tecno hardcore pop rhythm and blues progressivo new wave psicodélico ye ye ye black metal and roll. Muitos grupos que se formam e/ou se extinguem diariamente. Fusões com reggae funk blues soul samba jazz. Nada disso satisfaz. Só uma coisa permanece e permite que continuemos chamando-o de. Uma coisa que não está no som. Está na sede.

O rock tem urgência de agora. Presentidade. Vitalidade que assassina a memória. Por isso é tão difícil catalogar. Dicionarizar. Compartimentar.

Ao mesmo tempo em que essa impossibilidade se exibe, sentimos que há uma tradição a não passar impune. Onde o passado vale por manter vivo o eterno presente. Só queremos que se faça uma cultura de rock no Brasil se for assim. Não para sedimentar, mas para clarear. Uma cultura que se mova com a mesma agilidade do seu objeto.

Acredito que esse álbum de retalhos verbetes lances insights drops, organizado pelo poeta Marcelo Dolabela, sobre o que houve/há por aqui, consegue isso. Não pelo poder paralisador da história, mas pela diversidade simultânea de seus agoras. Não pelo caminho em linha reta, mas pelo registro de seus desvios e fragmentos. Tentativa de fazer o possível, uma vez que o impossível é responsabilidade do som.

prefácio para o livro ABZ do rock brasileiro, de Marcelo Dolabela, Ed. Estrela do Sul, 1987

6. didascália


Foi Maria do Socorro Fernandes de Carvalho, a Só, que me falou a primeira vez em “didascália”. Comecei a entender o que era lendo “introduções” de poemas do século XVII que “explicavam”, “avisavam” o que iria acontecer, em seguida, no texto. Quando a canção Não quero te agredir apareceu, não tinha um título definido. Até que chegamos em De como um homem se zangou com a namorada e a mandou pra cidade ao lado da sua. Daí, começamos a falar de didascália... Meses depois, esse título virou uma trilha-avisozão-introdução-explicação para a canção “Não quero te agredir”.

Parceria com Quaresma, as vozes que cantam são do novo grupo vocal brasileiro “Monstros da Neblina” ou “Dragões da Névoa”, em homenagem ao “Demônios da Garoa”: Vazin, Quaresma e eu. Ou qualquer outra combinação na Validuaté: Júnior, Wagner e John; ou ainda: Vazesma, Johnago e Juniágner). Pode ser chamado também de “Trio Tapuru e Tu”, lembrando romântica e risonhamente do "Trio Irakitã", rs!

Um beijón, Só!

domingo, 6 de dezembro de 2009

5. a onda


Composição do Quaresma de batidas contínuas e cíclicas de círculos que envolvem o ouvinte movido de enlevação. O Vazin fez o rife da guitarratrilhademulhersensualdançandoemboateescuranopoledance. Sobre a faixa 5 deste disco, o poeta Manuel Bandeira disse:

A onda

a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

Ainda ressalvou: “Vamos devagar. Não aderi à poesia concreta”. E proclamou uma eternidade: “... a poesia está em tudo - tanto nos amores quanto nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas".

4. plaina maravalha


Esse rockfunk é inspirado numa fotografia de Theda Bara – que vi num livro sobre paixão – e numa conversa de viagem indo para Oeiras com os amigos da Validuaté. Quaresma contava que ouviu do Seu Francisco Carvalho as expressões "maravalha" e "plaina". Ríamos e atraiu-me bastante as duas palavras conjuntas.

No Aurélio:
Plaina s.f. Instrumento de carpinteiro, para alisar madeira.
Maravalha s.f. Aparas de madeira; acendalhas; (fig.) bagatelas.
...não podendo assim ser ávida por outra coisa.

A composição saiu depois de juntar o lembrar de Theda Bara – a devoradora de homens dos anos 20 – Rilke e Tchekhov. Também homenagem a 3 amigos nossos: Mário, nosso colega misterioso; Dante Gomes Galvão, meu camarada historiador e cientista social de risada bonita que me apresentou “tataraneto do inseto”; e Beto, nosso amigo e desenhista rabiscante de artes gráficas-plásticas-visuais da Labigó!

3. eu só quero acabar com você


Mulher... Vingança! Fiz a canção ao cavaquinho, num quente domingo à tarde, com a presença da minha mãe, Neide. O enredo saía e eu pensava sobre os sentimentos no abandono. Arnaldo Antunes diria: “pessoa - pedaço de perda”. Mostrei a canção para minha mãe e perguntei: “E aí, mãe, falta alguma coisa”?! Ela disse: “põe aí pra quando ele for chegando na parada de ônibus, o ônibus dele tá passando... longe...”.

O rock pegou emprestado do samba sua tragédia de sangue. Mas a tristeza é aplacada pela vontade de vingança! Sobre a vingança, Jorge Mautner com Nelson Jacobina cantam: “A vingança é a origem das leis”. Vazin pôs peso de guitarra violenta, Júnior no baldrame harmônico, John endurece sem perder a ternura, Quaresma interpreta mui bem e Wagner imprime as linhas graves.

Traz uma cachaça pra ver se passa?! Cuidado! Se essa mulher tivesse no tempo do Código de Hamurabi... Olha o artigo 110 do Código:

110º - "Se uma irmã de Deus, que não habita com as crianças (mulher consagrada que não se pode casar) abre uma taberna ou entra em uma taberna para beber, esta mulher deverá ser queimada".

Deixa ver... Deixa ver... Podemos encerrar tratando da bíblia! Um provérbio bíblico alerta:

“É melhor morar com um leão e um dragão famintos do que com uma mulher malvada”.

sábado, 28 de novembro de 2009

2. o hermeto e o gullar


Validuaté ensaiava num quarto de velharia e escuridão da casa do Wagner. O Quaresma havia composto uma melodia e necessitava de letra. Intrometi-me e prometi-lhe o texto. Observávamos o pulso da musicalidade e Quaresma exemplificou: Thiago, é como o compasso desta frase: “macumbeira da cara de peixe”. Rimos e fiz questão de, não apenas pegar tal tempo, mas, com o fascínio, me apropriar da frasencanto! A história saiu rompantemente e resolvi homenagear figuras importantississíssimas da cultura brasileira: Hermeto Pascoal, Ferreira Gullar e Maria Bethania. Canção chamadora de atenção das partes empenadas e interessantíssimas dos corpos humanos. E questiona:

Quem já viu a orelha da Maria Bethania?! A pessoa não vê, mas existe! Orelha-crença?!

E, neste agora, um poema do Nicolas Behr:

nem tudo
que é torto
é errado

veja as pernas
do garrincha
e as árvores
do cerrado

Com os ensaios, o Vazin acabou começando a compor também no Validuaté! Vazin e Quaresma finalizaram a construção melódica. A integração é sem limites!

Foi-é demasiado empolgante termos a participação do Lirinha neste pedaço. Nosso encontro com ele aconteceu por meio da produtora Liana Santana. Nosso agradecimento, Liana! Mostramos a canção e o desejo da participação para o Jose Paes Lira – que gostou, agradeceu e prometeu presença! Tempos depois, sua voz foi gravada no estúdio "Todos os dias são bemóis", em São Paulo – SP, por Emerson Boy. Nosso agrade-cimento, Boy! Viva o Boy! Valeu! Criação + envolvimento + dedicação + Lirinha + nosso largo obrigados feito de contatos e fortes abraços.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

8. a lenda do peixe francês


Acabo de ver na tv que o produtor Herbert Richers morreu hoje. Acredito que alguém deve ter sentido o mesmo que eu: uma presença tão frequente e ao mesmo tempo tão longínqua; uma presença tão recorrente e... quem já tinha visto seu rosto?! Se essa situação fosse um filme, se chamaria "Meu querido estranho". Lembrei da banda Validuaté e de como tudo vai se encontrando nessa vida imprevisível: canção + dublagem + minha singela homenagem.

Algumas presenças no mundo encantam e inquietam e estranham a mente. Dentre outras, podem ser ímãs de atração: sapo, peixe, borboleta e abacaxi. E eis que senti o soturno de um peixe apaixonado por uma borboleta. Um é só água, a outra sempre vento. Dor e impossível que não cura nem com todo ungüento. Escrevi a letra da canção "a lenda do peixe francês" e a tristeza de tinta impressa. Na sua casa, Quaresma leu o texto, riu, gostou. Depois de curto tempo, ele pôs a melodia, fomos ensaiando com John, Wagner, Vazin, Júnior... Quaresma, depois de assistir ao filme Escorpião Rei, teve a brilhante idéia de chamar o grande ator e dublador IZAAC BARDAVID! ...Para interpretar um trecho da canção com sua voz de Tigrão e Esqueleto e Wolverine e tantas outras personas. Quaresma conseguiu o número do Seu Izaac com os Estúdios Dellarte e o comunicou desse desejo. Izaac disse nunca ter feito participação em banda de música, mas aceitou a dança. O trecho da letra foi gravado no estúdio Herbert Richers:

“A dublagem, como a conhecemos hoje em dia, foi introduzida pela Herbert Richers em 1960, com a ajuda de Walt Disney. Como a legenda na época não era boa, a televisão pequena, em preto e branco e sem definições, resolveram colocar vozes brasileiras nas produções estrangeiras. Hoje, são dubladas, em média, 150 horas de filmes por mês, o que corresponde a setenta por cento da dublagem exibida nos cinemas. Ou seja, a marca registrada Herbert Richers não está presente apenas no que é feito no país, mas em grande parte do que recebemos de fora também”. (texto do site do estúdio)

Agora, toda vez que ouvimos na TV: “Versão brasileira: HERBERT RICHERS!”, damos risada e relembramos que a Validuaté também tem um pedaço do Seu Izzac, do Esqueleto, do Wolverine e é até Herbert Richers!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

1. pedaço de poemas portugueses


Gracias de merci beaucoup para André Leão! Fotógrafo e talento e perícia e interesse como carícia! Sem André Leão esse contato-crescimento-ebulição-de-coração não existiria. Muitas gracias na mesma proporção para o Mike Soares! Cuidadoso da parte técnica deste Alegria Girar. Mike é engenheiro de áudio que grava, mixa, masteriza e também é guitarrista! Trata o som como molda uma viga, um metal, um heavy metal! Mike deu um tratamento de tecnologia espacial russa nessa vinheta. Mike, viva! Audição altiva!

Era tarde toda tórrida de quentura e Teresina. Telefonei para o Ferreira Gullar da casa do Quaresma, que cedeu o telefonema e o perdão para pagamento da conta, mesmo sem sobra de tostão. Eu tremoso de querer ansioso. É atendido o telefone, lá no Rio de Janeiro:

– Alô! (uma voz anasalada suspeitosa de vir do poeta procurado)
– Boa tarde, o Sr. Ferreira Gullar está?! (minha voz gaga de menino grato)
– É ele! (voz anasalada e certeira do poeta que plantou, no meu coração, aquela voz, por disco e televisão)
Daí fomos acertando sua participação e autorização.

Viva Ferreira Gullar! É Poeta! É Linguagem! É Sempre e Ainda!
Brasil e América Latina!

No mesmo dia, escrevi para o Sr. Ferreira Gullar – que foi-é gentileza e recepção calorosa, e respondeu:

"Caro Thiago, autorizo o uso dos versos.
Grato pela homenagem. Abrs. Gullar"

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

HOJE: Validuaté na Casa da Cultura


Jornal O Dia - Torquato - 12/11/2009


Amaral + Paulo Machado + Cia. de Dança + Validuaté

Lançamento do poema concreto Lua Rua, do Paulo Machado
e da revista Hipocampo nº4, do Amaral

Participação da Cia. de Dança Luzia Amélia
e da banda Validuaté

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

VALIDUATÉ NA TV BRASIL


Hoje, dia 12, participaremos da gravação do programa Para Todos da TV Brasil. Será no Clube dos Diários e participarão as bandas Validuaté, Conjunto Roque Moreira e Fullreggae, às 18h! Apareçam e participem! Vai ser uma festa Para Todos mesmo!!!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entrevista ao blog Volver-Pi


CONVERSAMOS: pequena entrevista
da Validuaté ao blog volverpi.

Nosso obrigados à Mariana, Ana e Nina!

PS: meu espaço como usuário no blog
tá com problemas - não consigo inserir link.
Quem puder, é só copiar no navegador.


CONFIRA:
http://www.volverpi.blogspot.com

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Vencer

Caríssimos amigos. Desde quando formamos a banda, que surgiu num ambiente festivalístico, tomamos a decisão de não mais participar de um festival competitivo aqui no Piauí, por motivos bem simples: empregávamos muita energia a cada apresentação em eliminatória e final dos festivais em que participamos no comecinho da história. Quando voltamos essa energia para um foco mais preciso, a produção autoral, a criação de algo que fosse novo para nós, conseguimos resultados surpreendentes junto a um público que passou a nos acompanhar e a crescer mais e mais a cada show. Somos muito gratos a todos que fazem desse público nosso principal motivo para continuar criando novas canções, contando nossas histórias e inventando outras.
Recentemente nos inscrevemos em um festival que já tem uma certa tradição no estado. Tomamos essa decisão por levar em consideração o formato que lhe foi dado nesta edição. As canções são veiculadas em várias emissoras de rádio espalhadas pelo estado, podendo ser votadas por telefone. Uma ótima ideia para fazer circular a produção musical piauiense. Quanto a ser votado pelo público para que se possa chegar à etapa final do festival... isso não é algo fácil. Depende de um esforço (no mínimo físico) que muitos talvez não possam se propor: ligar, ou fazer ligarem, milhares de vezes em um único dia para o telefone de votação.
Desde que foi estabelecido o critério de votação (uma mesma pessoa podendo votar infinitas vezes), e que foi constatado que o fator decisivo para a seleção dos finalistas seria o "lobby" que cada inscrito seria capaz de lançar mão para acumular votos, percebemos mais uma vez que podemos usar essa energia para coisas mais produtivas. Acompanhem as votações pelo site do festival, verifiquem os resultados e participem da grande finalíssima. Certamente teremos belas canções no dia 1° de dezembro. A música piauiense tem uma grande produção musical que, infelizmente, mal consegue circular no prórpio estado. Daí o grande esforço de alguns inscritos.
Muito obrigado a quem se dignou a telefonar em nosso favor. Mas não se ocupem tanto disso. O melhor do festival foi ter tantas músicas tocadas em tantas rádios pelo estado. Ficamos por aqui no festival.
De nossa parte, podemos dizer que continuamos trabalhando com a energia de sempre e buscando fazer cada vez melhor o que sabemos e o que temos aprendido ao longo da caminhada. Boa sorte aos finalistas. O longo caminho, fora dos festivais competitivos, já nem nos espera, porque na verdade nós nunca o deixamos.
Abraço futuro e forte aos vencedores.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Validuaté e o Ensino Fundamental


Sábado, dia 03 de Outubro de 2009, Narguilé Hidromecânico, Batuque Elétrico e Validuaté tocamos no Bar do CHURU. Validuaté fechou a noite. Tão-logo acabou nossa apresentação, uma mulher simpatissíssima veio falar comigo:

- Thiago, deixa eu te contar uma coisa. Eu sou Gardênia e meu filho adora a Validuaté. O nome dele é José Guilherme. Um dia desses, ele chegou da escola falando forte:

- Ei, mãe! Ei, mãe, tirei 10 na prova de redação!! Ei, mãe, tirei 10 na prova de redação!!!

– Ele estava com a prova na mão e fui ver. Thiago, quando eu olhei, ele tinha escrito a letra da música “A lenda do peixe francês” inteira! Que ele sabia de cor!

Gargalhadas pelo ar! Há!Há! Um abração, Luis Guilherme!

E,

NESTE SÁBADO,
Teófilo + Validuaté + Batuque Elétrico
No Bar do Churu

Apareçamos para viver a próxima história!
Caramba, quanto ‘r’! Vrrrum, vrrrum, girarrr

terça-feira, 20 de outubro de 2009

ÚLTIMA CUMBUCADA DIA 24

SÁBADO, DIA 24, NO BAR DO CHURU!
ÚLTIMA CUMBUCADA ANTES DA GRANDE AMOSTRA CUMBUCA CULTURAL EM NOVEMBRO.
SHOWS COM AS BANDAS BATUQUE ELÉTRICO, VALIDUATÉ E TEÓFILO LIMA! CONFIRA O VT.
video

terça-feira, 29 de setembro de 2009

INFORME: VOTE VALIDUATÉ


Repasso o e-mail de Diego Lopes sobre
como votar no V Festival Cantos do Piauí:


Público deve seguir orientações para validar seu voto

A votação oficial do V Festival de Música Cantos do Piauí está um sucessos. Milhares de pessoas já participaram - ligando para o número (86) 3228-0008 - e estão concorrendo ao sorteio de um notebook.

Alguns votos não foram computados porque a ligação não foi completada. Para que a escolha do público tenha validade é necessário que o ouvinte siga todas as orientações indicadas durante a ligação.

Após escolher seu voto entre as opções ‘música 1’, ‘música 2’ e ‘música 3’, o ouvinte deve falar seu nome e endereço e em seguida teclar o número zero para finalizar e validar sua escolha, ou esperar o agradecimento ("Obrigado!") citado na gravação.

Nesta primeira semana de votação para a final (de 28 de setembro a 03 de outubro) disputam a preferência do público as composições; “Magia Nordestina” (Música 1) de Raimundo Gutemberg, “A minha história mais bonita” (Música 2) de José Williams Moura e “Estro” (Música 3) de Gilvan Santos.

A quinta edição do Festival Cantos do Piauí é uma realização da Fundação Cultural do Piauí – Fundac, Governo do Estado, em parceria com Fundação Dom Avelar Brandão Vilela. O evento tem apoio da Coordenadoria de Comunicação do Estado – CCOM e da Fundação Antares.

Diego Lopes
(86) 8827-2003



Obrigados, abração e até já já!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Ontem, 6 e Meia + Cultura Africana


Fotografia: Jornal O Dia, 22/09/09.

Todo o nosso mui obrigados a quem compareceu ontem no 6 e Meia! Mui obrigamos mesmo! Abrimos o show da simpatissíssima Patricia Mellodi - repleta de performances, repertório bom e troca de figurinos que deixou tudo dinâmico e interessante de assistir: atitude rara nas apresentações locais. Um conceito óbvio esquecido: o palco está sendo visto! Uma apresentação ao vivo também é som para os olhos. Ora, direis "ouvir estrelas"?! Sim! Ouvir estrelas e ver a cor do som... o azul da estrela! No fim da apresentação da Patrícia (que estava vestida de Roberto Carlos), ainda fizemos uma pequena participação no palco - com palmas, catarolando e passos improvisados de dança, he!he!he!he! Foi divertido! Noite animando almas. Saímos do teatro e fomos pro Noé Mendes tocar na Festa da Cultura Africana. Mesmo com atrasos e exaustão no pulmão, fechamos a comemoração na UFPI. E, para encerrar este texto, fique com a voz de Jorge Mautner com a canção Lágrimas Negras. Um bom dia pra você! "... Belezas são coisas acesas por dentro... Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento... Belezas são coisas acesas por dentro..."

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ela é... a lenda do peixe francês.


PRÉ-CAMPANHA:

A Validuaté vai concorrer no
V Festival Cantos do Piauí.

Inscrevemos 2 canções:
"Ela é" e "A Lenda do Peixe Francês".

Em cada semana, 3 músicas inscritas
tocarão nas rádios e concorrerão entre si.

Por telefone, a mais votada da semana é classificada
para se apresentar na grande final no 4 de SETEMBRO

Contamos com a força musculosa de quem gosta da banda
E pedimos: VOTE VALIDUATÉ!!! VOTE VALIDUATÉ!!!

Por enquanto, é só um aviso, uma PRÉ-CAMPANHA.
Logo, vai estar aqui o TELEFONE para votação.

VAMOS FAZER O ECLESIASTES VALER A PENA!!!
VAMOS FAZER A UNIÃO FAZER A FORÇA!!!


Obrigadão, Uhuu! e Até Já Já!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ULTRA-SOM



Nossos amigos Luciana e Dante estão grávidos de 7 meses. Lara é o nome do bebê. Pra demonstrar o apego acabei amalgamando outro camarada, Joniel Indiano Veras, pra compor comigo – e a canção ficou pronta:



ULTRA-SOM
Thiago E / Joniel Veras

Dentro da barriga da mãe,
Lara quer ter uma lâmpada acesa.
No escuro, não encontra as belezas
que ouve dentro da barriga da mãe.

No útero escuro da mãe,
Lara escuta um rock sobre uma estrela:
se não enxerga, imagina consigo
que é bonito não tê-la.

O som se torna luz, na barriga da mãe.

Lara apertada na casa escura
não sabe do seu quintal, ainda.
Lara imagina com o som o mundo
onde vai mais se mover,
depois da aquática vida de bebê.

Se não enxerga, imagina
Dentro da barriga da mãe.



Em breve, você que está lendo poderá ouvi-la também. Por hora, você pode imaginar a melodia. Imaginar... que nem a Lara.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Zéu Britto e Validuaté - PRIMEIRO ATO


Uhaaa!!! Dia 11 de setembro de 2009: quente. Ainda é quente porque “as coisas que não conseguem ser olvidadas continuam acontecendo...” e valeu, Mário Quintana! Quente literalmente: metaforicamente e metadentricamente. Depois de problemas com computador, fiz a inscrição da Validuaté no Festival Cantos do Piauí. Vamos concorrer com “A Lenda do Peixe Francês” e “Ela é” – contamos com a união para fazer a força! Vamo ver no que vai dar. Quaresma chegou na FUNDAC: - Thiago, o Zéu Britto tá comendo nx xxxxxxxxxxx. Então, é correr pra falarmos com ele. – Beleza, vamo lá. Pessoas asfalto quente buzinas um dois quatro dez carros buzina monturo de carros acidente suor sem cessar mais carros buzina chegamos. Ele não estava lá. Esperar. Desistimos. O tempo passou. Quando menos esperávamos, Quaresma fala: - Olha quem tá ali! Ele apareceu com a atriz Maria Paula, o produtor da peça, o ator Marcos Oliveira – que faz o Beiçola na Grande Família – e, quando tento reconhecer mais alguém, Zéu com voz esganada de ator bufo: - Eu conheço vocês! Rapaz, é o Validuaté!! Abraços e eu disse: - ÊÊêêÊ!!! Após os primeiros cumprimentos e encantamentos de alma acesa toda entusiasmada, nos alimentamos. A conversa com Zéu Britto foi inteira uhaaa!!! Eu queria dizer que ela foi simplesmente uhaaa!!! Mas não seria entendido e, pelo menos por enquanto, um entendimento. Sendo assim, tivemos um encontro empolgantedealumiarasforçasededeixaroespíritomusculoso,assemvergonhicessalienteseserelepescomosenosreconhecêssemoscarosamigosdedatalonganumpaporisonhoefrancomaisadjetivaçõesaesmo. Mesmo! Zéu Britto ficou com alguns discos “alegria girar” e a validade dessa banda se estende nas nossas vontades. Anunciou: - No próximo ano gravarei meu segundo disco, “Galante”: com canções inusitadas de amor para rir. E, rindo, nos despedimos e fomos embora. No estacionamento, Quaresma e eu aperriados: o carro no qual fomos estava trancado com a chave dentro!!! - Olha ali, Quaresma. – Só tu mesmo, Thiago! Nós dois: - Há!HA!Há!Há! Voltei ao restaurante. Peguei uma faca pra tentar entrar pelo porta-malas. Zéu Britto já fora: - O que foi?! – Olha ali! A chave dançava ironicamente no contato. Zéu tenta amenizar: - Eu também já passei por isso... Um deboche?! Há!Há!Há!Há! – Vocês não querem uma carona?! Vamos pro centro. Quaresma já estava perto do trabalho. Não foi. Aceitei. Dentro da van, Zéu disse: - Desde 2006 se tenta montar a peça Decamerão. Agregar patrocínio... Para conseguirmos juntar todo mundo é dificílimo. Veja o Marquinhos Oliveira: como ele grava sempre, os dias são sempre cheios... Marcos Oliveira: - Nada é fácil. Por causa do trabalho só poderei fazer a cirurgia que tenho que fazer em Dezembro... Será um feriado... Quis abraçá-lo. Chegamos. – Obrigado por tudo, Zéu. Obrigado gente. Mesmo. Caramba! Muito bom! Muito bom! Fiquei super feliz. A gente se fala depois-logologo. Cena de pessoas se abrações fortões. A cortina, por enquanto, poderia ser fechada aqui.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Tribuna do Norte

Ainda em decorrência de nossa ida a Fortaleza, boas reverberações nos chegam de tempos em tempos. Esta veio do Rio Grande do Norte, uma resenha de Yuno Silva que, em sua coluna Ondas Curtas no jornal Tribuna do Norte, escreve sobre três discos aos sábados. Nessa edição foi a vez de Décio Galvão, escritor, poeta e compositor potiguar que em seu "Poemúsicas" (Nação Potiguar/Série Galantes) conta com participações de Arnaldo Antunes, Dominguinhos, Paulinho Boca de Cantor, Zé Celso Martinez e Walter Franco; também foi a vez de Neto Lobo e a Cacimba e o cd homônimo, com o qual também fui presenteado pelos amigos da Rádio Educadora da Bahia, Nilton e Sartorello. Curti pra caramba o disco; para fechar a tríade resenhada, Yuno escreve sobre nosso "Alegria Girar". Para conferir os textos siga o link abaixo.



http://tribunadonorte.com.br/coluna/2018/data/5-9-2009



Muito obrigado a Joanisa Prates, que nos apresentou a Yuno Silva, a quem tabém somos muito gratos. Materemos sempre contatos. Abrações a todos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Construa seu próprio peixe

Olá caríssimos amigos. Nada melhor que estar em uma roda de amigos e tocar músicas bacanas ao violão. A partir de hoje faremos a atualização de nosso banco de cifras com canções do primeiro e do segundo cd. Começamos com "A Lenda do Peixe Francês". Para conferir basta acessar o link de nossa página no cifraclub! Abrações

http://cifraclub.terra.com.br/cifras/validuate/

sábado, 5 de setembro de 2009

Rever texto de Luiz Tatit "Música para reouvir"



Hoje, cada um pode gravar o seu disco e colocá-lo na internet em busca de um ouvinte que nem chega a ouvi-lo por estar às voltas com suas próprias composições, que também serão lançadas na rede para que alguém as descubra e mostre aos outros. Esses outros geralmente estão ocupados, pois criam repertório para uma próxima investida musical que, sem gravadora e sem distribuidora, dependerá de divulgação em seus respectivos blogs, voltados aos internautas que ainda ouvem uma coisa ou outra se a fonte for conhecida ou bem recomendada. Mas mesmo esses internautas só ouvem trechos de cada música, saltando rapidamente de uma para a outra, colhendo impressões para realizar um novo trabalho que ficará disponível online.

A facilidade técnica de produção e a velocidade de circulação das obras musicais estão forjando uma realidade sonora com a qual nem sonhávamos décadas atrás. A ampliação desmedida do universo dos criadores vem abalando a capacidade de absorção dos consumidores. O fã que comprava o CD do artista agora vem presenteá-lo com o seu próprio, gravado em excelentes condições técnicas e ainda valorizado por um bom suporte gráfico que torna sua capa e seu encarte bastante atraentes. Mas o artista, que já recebera algumas dezenas de outros CDs e DVDs de outros fãs, provavelmente não terá tempo de ouvi-los (ou vê-los) pois está enfurnado num estúdio preparando novo trabalho que deverá compensar a pouca divulgação e acolhida do anterior, cujo lançamento coincidiu com uma época em que os ouvintes cuidavam de seus próprios discos...

Difícil compreender as novas relações de produção e consumo anunciadas no alvorecer do século 21. Não sabemos nem se estão se concretizando ou se virtualizando. Não podemos imaginar suas conseqüências e muito menos avaliá-las com os critérios ideológicos ou científicos erigidos no século passado. Por enquanto, parece-nos suficiente reconhecê-las como fenômenos irreversíveis que exigem a formação de uma nova mentalidade para o acompanhamento de seus efeitos sociais, culturais e estéticos. Nem podemos dizer ainda que algum dia estaremos em condições de julgar essas novas relações, uma vez que a compreensão, como a concebemos até hoje, pressupõe um grau de desaceleração que estará sempre em defasagem com a dinâmica alucinante da veiculação sonora dos nossos dias.

Talvez esse panorama descrito até aqui traduza mais uma tendência do que a realidade deste início de 2007. Grande parte da cena musical ainda é ocupada por nomes que se firmaram num contexto em que artista era artista e público era público. Uns faziam e outros ouviam. No entanto, mesmo esses artistas já se ressentem da pouca disposição do público para ouvir novas canções. Prefere reouvir a ouvir. As novas composições que tanto significam para o autor são apresentadas com extrema parcimônia, sempre em meio a muitas já consagradas. Ouvir é uma concessão da platéia, reouvir é o seu desejo. Ouvir é se sentir no centro do bombardeio diário das informações não solicitadas, reouvir é se proteger do bombardeio e poder escolher o que já é significativo. Outro sinal da mesma tendência manifestou-se há pouco na recepção ao novo e esperado disco do Chico (Carioca). Toda a elaboração cancional ali investida foi descartada na primeira, e talvez única, audição. Nenhuma faixa fez pensar em Quem te viu, quem te vê e muito menos em Construção. O prestígio do compositor garantiu a presença de todas as novidades no repertório do show, entretanto, do ponto de vista da platéia, era como se houvesse um contrato implícito: nós ouvimos, mas depois você canta “as boas”.

A preferência por obras assimiladas é um recurso, na verdade muito humano, de preservação de identidade. Aquilo que nos atrai é parte de nós que se desprega, mas que queremos de volta para nos sentirmos inteiros. É esse, aliás, o sentido de “objeto”. O sujeito o persegue não por veleidade, mas porque constitui um pedaço de si que precisa ser recuperado (Pedaço de Mim, do mesmo Chico, versa sobre isso). Assim, não há mal nenhum em querer reouvir. É um modo de repassar na memória tempos já vividos, em geral associados a idéias ou situações prazerosas, e de realinhavar conteúdos que vagam avulsos em nosso interior. É um modo de dar tempo ao tempo e de revigorar nossa identidade diante de um mundo cujo andamento açodado tende a nos despedaçar por dentro. Nessa linha, é interessante observar que os shows de hoje são sempre rituais de comunhão que atingem o seu ápice quando a platéia canta com o artista aquilo que já reouviu muitas vezes. Todos se juntam em defesa de um patrimônio subjetivo e coletivo que a “realidade” fora do auditório teima em dilapidar.

Acontece que a ampliação espantosa da faixa dos criadores, que poderia ser um bem em si, acaba produzindo no ouvinte uma espécie de defesa da própria sensibilidade (“Socorro, eu não estou sentindo nada”, diz a letra de Alice Ruiz). São tantas as canções interessantes e tantos os sentimentos transmitidos que já não podemos mais discerni-los nem incorporá-los. (“Tem tantos sentimentos / Deve ter algum que sirva”, idem). Eles nos escapam em sua maioria. Mas basta que alguns sejam fisgados e reproduzidos pelos veículos de comunicação, ou até pela atuação direta dos artistas que se esmeram em promover o próprio trabalho, para termos a comprovação de que as canções seguem respondendo ao anseio vital de desaceleração do ritmo de vida do ouvinte e continuam se convertendo em verdadeiros Leitmotiven de sua história.
Houve época em que gravar um disco era tudo que um artista poderia desejar. E só se pensava no registro de um segundo se a venda e a repercussão do primeiro fossem satisfatórias. Hoje, um CD gravado é ponto de partida para uma almejada carreira musical e, independentemente de qualquer sucesso de venda ou de crítica, o artista já se aventura num segundo disco, num terceiro, e assim por diante, até que uma canção “emplaque”. Emplacar, nesse universo, significa “permanecer”, virar objeto de reprodução na seqüência ininterrupta das criações do artista. No fundo, significa interromper momentaneamente a própria voracidade de criação em nome de um formato que precisa ser reouvido e incorporado aos ritos (ou apresentações) cancionais do autor. A produção desenfreada dos dias atuais não busca o novo em si, mas o que pode permanecer dentre as numerosas criações. Claro que existem graus de permanência. Algumas composições se transformam em hinos do autor e atingem uma permanência absoluta (ex. País Tropical, de Jorge Ben Jor), outras circulam apenas entre os seguidores mais próximos do artista, outras serão reconhecidas anos mais tarde, num contexto sociocultural diverso. E há, ainda, as que permanecem, mas são abandonadas pelo próprio autor, por desinteresse (ex. A Banda, de Chico Buarque) ou por razões de foro íntimo (ex. Quero Que Vá Tudo Pro Inferno, de Erasmo e Roberto Carlos). Qualquer desses graus tem sua importância e contribui para a formação das identidades pessoais e do patrimônio coletivo. E ao artista é imprescindível atingir algum grau de permanência, embora isso não lhe seja suficiente. Em geral, quanto mais o público quer reouvir, mais o compositor lhe propõe novidades, até que uma delas outra vez emplaque. Terá o artista, então, o melhor testemunho da própria vitalidade.

Jamais se produziu tanta canção de qualidade (maior ou menor) no Brasil como nos dias atuais. A oferta supera a demanda em diversos itens. É notável a rapidez com que um ouvinte se transforma em artista, muitas vezes mais produtivo que seus ídolos, e alimenta com suas composições um mercado já inflacionado de bons trabalhos, deixando perplexos tanto os demais ouvintes quanto a própria classe musical. Quanto aos instrumentistas de hoje, pode-se dizer que, experiências à parte, começam suas carreiras no ponto em que seus reverenciados mestres terminaram e atingem metas muito mais exigentes. O ofício de cancionista, embora ainda não seja reconhecido pelas instâncias formais, já é uma profissão concreta e promissora na cabeça dos jovens de agora e isso os leva a compor desde muito cedo. O problema é dar vazão a toda essa fecundidade num formato que evite o descarte sumário, decorrente do atropelo informativo, e que estimule de algum modo a reaudição.
A internet é um campo a ser explorado, mas não faz parte de suas atribuições avalizar os produtos que circulam na rede. Sua feição caótica, embora proporcione eventuais descobertas, produz desconfianças e indiferenças incompatíveis com o universo cancional. As rádios de vasta audiência são há muito tempo cúmplices de conglomerados comerciais e só operam na faixa de grande consumo, o que as distancia cada vez mais do antigo papel de principal divulgadora das variedades sonoras de todo o país. Do mesmo modo, as televisões abertas (exceto as culturais) retiraram os musicais de sua programação, restringindo-se à utilização de canções “eleitas” do mainstream para compor as trilhas de suas novelas. Mas rádio e televisão, mesmo que quisessem novamente apoiar o segmento musical, não mais dariam conta. As condições quase provincianas das décadas de 1960 e 1970, que proporcionaram a reunião de todos os artistas importantes numa mesma emissora, a Record, são irrecuperáveis e inconciliáveis com o mundo contemporâneo. Sobram as nostalgias: nunca houve geração musical como a daqueles anos! O auge de nossa música popular foi a bossa nova! Nunca houve tanta vibração e qualidade musical como na era dos festivais! Etc.

Talvez nunca tenha havido, isto sim, tanta concentração e visibilidade das principais tendências da música brasileira como naquele período. Talvez nunca tenha havido uma geração tão reouvida e, portanto, tão fundamental na formação da nossa identidade. Quando suas obras não nos eram apresentadas diretamente pela televisão, desfilavam nas paradas de sucessos programadas por emissoras de rádio. Os cancionistas formavam uma classe bem delimitada e inteiramente conhecida do público. Embora o ingresso no mundo artístico fosse mais restrito, depois da gravação do primeiro disco e de sua inserção na então “pequena” mídia disponível, a passagem do ouvir ao reouvir era quase automática.

Atualmente, não é exagero dizer que surgem novos artistas todos os dias. Logo os teremos todas as horas, todos os minutos, e, claro, teremos cada vez menos disposição para ouvi-los. A mídia se retrai e só reconhece uma parcela mínima desse imenso contingente de criadores que se aglomera nos espaços virtuais, nas filas de patrocínio e nos palcos alternativos de todo o Brasil. Daí a importância atual de algumas instituições bancárias, ao lado de empresas mais arejadas, que vêm investindo em projetos de revelação e difusão de talentos ao menos nos principais centros de cultura do país. Daí a importância do Sesc, outro núcleo extraordinário de veiculação das iniciativas artísticas de alto nível, que, particularmente em São Paulo, realiza um trabalho ininterrupto de circulação das artes brasileiras - e que, neste momento, vê parte de seus empreendimentos ameaçada por lamentáveis perdas de arrecadação.

É no interior dessas salas de espetáculo que a música brasileira pulsa com o mesmo vigor de todos os tempos. Quem as freqüenta tem tido oportunidade de se imbuir das incríveis dicções cancionais de nossa época. Em sua maioria, elas não cabem mais na grande mídia, mas pela amostra de poucos que puderam migrar desse mundo artístico periférico para o centro de médio e grande consumo, onde podem ser reouvidos (citemos, entre muitos, os compositores-intérpretes Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Lenine, Arnaldo Antunes, Chico César e Vanessa da Mata), já vemos que nada devem à geração dos anos sessenta e setenta. Com a vantagem de que ainda estão no primeiro tempo de sua partida musical.

*Luiz Tatit é fundador do Grupo Rumo, compositor, cantor, violonista e professor do Depto. de Lingüística da Faculdade de Filosofia da USP. É autor de O Cancionista (Edusp, 2002)

Artigo publicado no suplemento Aliás, jornal O Estado de São Paulo, em 30 de dezembro de 2006.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Novimentando Movamente!


fotografia de débora - um registro no CCBNB


Participamos da Feira Internacional da Música, em Fortaleza. Fizemos contatos. Dia 22 de agosto tocamos, à tarde, no Centro Cultural BNB, no centro - em breve, imagens da apresentação! Tocamos também, no mesmo dia 22 de agosto, no bar Órbita, ao lado do Dragão do Mar. Nessa apresentação, estava a Cia de Comédia Os Melhores do Mundo na platéia! Eles, gentilmente, até comentaram sobre a Validuaté no site deles:

SOM PIAUIENSE

"Da série "bandas que conheci por acaso em nossas andanças pelo Brasil e me tornei fã", assisti aqui em Fortaleza um som nascido em Teresina e batizado de Validuaté. Experiência, personalidade, presença de palco e música como tem que ser: Sem preconceito. Deixo aqui meu obrigado aos caras pela noite privilegiada que tive. Recomendo =)".

Mui obrigados da banda pela remocomendação d'Os Melhores do Mundo! Quaresma e eu participamos de debate sobre comunicação no mercado musical. O produtor Márcio Menezes divulgou a banda como pôde. Conversei um tempão com o jornalista, músico, tradutor e escritor Alex Antunes, dentre outras gargalhadas e viagens, sobre crítica, difusão musical e como a Validuaté pode entrar nesse circuito. Vazin, Júnior e Cláudio Luz chegaram um pouco depois e deram força. Ponte dos Ingleses + Hotel Tabajara + Praia de Iracema + Correria para arrumar parceiros nessa nossa empreitada sonora + Shows à noite + Quaresma cumprimentando Simone Soul + A gente junto jantando + Cuidado com os malas + Prostitutas-paisagem-de-comércio-barra-pesada + Vazin e Júnior jogando bola e descobrindo o despreparo físico + A gente gargalhando de tudo isso + Encontro com Eita Piula, Roque Moreira, Batuque Elétrico + Alguma esperança de maior locomoção da música feita no Piauí + Simplesmente porque essa música é um pedaço bom, brasileiro.

Agora estamos fazendo a pós-feira, continuando, reforçando alguns pontos, repetindo pra mudar e tentando construir o lugar onde queremos estar.

sábado, 15 de agosto de 2009

Iracema


Está quase tudo pronto para nossa partida para a capital cearense. Mais uma participação da Validauté na Feira Internacional da Música de Fortaleza. Como no ano passado, teremos dois shows no mesmo dia. O primeiro acontecerá no Centro Cultural do Banco do Nordeste às 16h e o segundo será no Órbita Bar às 23h, ali no entorno do Centro Cultural Dragão do Mar. Esses dois shows marcam o lançamento do CD Alegria Girar em terras cearenses.

A Feira é um dos mais importantes eventos de música do Brasil, onde se discute de tudo sobre o assunto: vendas, distribuição, gravação, imagem, mercado, direitos autorais, produções, etc. Além, é claro, das dezenas de shows que acontecem em vários pontos da Praia de Iracema.

Estamos ansiosos e confiantes que será uma grande viagem com enormes possibilidades de trabalho e troca de experiências!

Vamos poder ainda assistir ao nascer do sol junto da índia dos cabelos mais negros que as asas da graúna.

Até breve.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Vamos ver o Sol, Barão


Para quem foi ao show de lançamento, eis abaixo a letra da singela música feita na parada de ônibus.

Vamos ver o Sol, Barão

Ei Barão
Vamos ver o Sol, Barão
E acompanhar os que virão
Enviados por Miguel

Tanto faz
Eu me fazer passar por Marechais
E desfilar por outras Marginais
Com os seus Duques, Presidentes

Ei Barão
A Imperatriz feriu teu coração
Que bate um tanto atravessado
Por cicatrizes tranversais

Orador,
Vem, cruza a Rosa, atravessa a Flor
Se faz Barão e quase Construtor
E some rumo aos Palmeirais.

Foto de Fernando Oliveira

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Entrevista ao Piagüí


21 de julho. 1h09min da manhã. 19 perguntas. Madrugada de terça-feira. Nada exato, como tudo deve ser quando o assunto em questão vê na exatidão o contrário de tudo que acredita. Preferi a naturalidade de uma conversa de compadres recém apresentados pelo destino e não formulei previamente nenhuma pergunta, apenas usei o Bloco de Notas para algumas anotações importantes, como temas que eu não deveria esquecer de perguntar e os dados temporais da nossa conversa.

O início daquela madrugada estava calmo e silencioso. E para não deixar que o sono se aliasse a essa combinação perigosa para um insone a trabalho, fui até cozinha e me servi de um café bem quente, com leite e açúcar. Nunca simpatizei com adoçantes como nunca simpatizei com livros de auto-ajuda. Tempo. Espera. Ruído qualquer no quarto a meia luz das paredes azuis, uma cor perigosa para quem quer ficar atento. O azul na escala de cores causa sono. Eu cheguei a me sentir Daniel na cova dos leões com tantos fatores querendo me desviar do objetivo que tracei para aquele momento, mas, fui forte. Foi quando dei um clique duplo sobre o Nickname do meu entrevistado e estranhamente lhe desejei “Boa Noite!”. Alguém fissurado em advérbios me mataria se ouvisse aquilo. Ali dei início a uma longa e confortável conversa em dois tempos com Zé Quaresma, o vocalista da banda Validuaté, de Teresina.

Ithalo: Olá Quaresma, apresente o Validuaté aos Leitores.

Quaresma: Olá caríssimos leitores. Somos uma banda composta por seis criaturas: Quaresma (voz), Thiago e (Cavaquinho e pandeiro), Vazin (guitarra), Júnior (guitarra solo), Wagner (baixo) e John Well (bateria). A banda existe há 5 anos e já possui dois CDs lançados, além de um DVD conjunto com outras bandas de Teresina.

Ithalo: Hum, e o que se passa na cabeça dessas seis criaturas de mentes tão efervescentes?

Quaresma: Muitas coisas, muitas coisas. Estamos sempre pensando nos próximos passos, próximos projetos. Agora mesmo estamos bastante entusiasmados com a festa de lançamento do “Alegria Girar” (Novo Disco da Banda), nosso segundo filho, e estamos organizando as estratégias para a circulação deste trabalho pelo Brasil, seja através de venda física do disco ou venda de fonogramas individualmente. Outro plano é fazer a banda chegar ao conhecimento das pessoas através de clipes e filmes.

Ithalo: Nossa, então podemos esperar muita coisa pra esse segundo semestre, não é mesmo? Inclusive, o “Alegria Girar” vai ser lançado neste dia 23, no Theatro 4 de Setembro. Vocês estão preparando alguma “Surpresa Validuatérística” para o evento?
(Antes de responder, Quaresma ficou pensativo. Não sei, de alguma forma, ele demorou uns segundinhos para responder. Nada demais, é que de madrugada a ansiedade aumenta. Então, perguntei: “Pensativo?” e ao que ele me respondeu com um singelo e simpático “Ops!”, prosseguimos a conversa.)

Quaresma: Já viu nosso site http://www.validuate.com/? Da pra ouvir um pedacinho de cada música. Sobre a apresentação, estamos preparando um lindo show, nos dedicando bastante para que tudo corra bem.

Ithalo: Lindo como sempre, o show será “maior que qualquer coisa em qualquer lugar”, tenho certeza! Mas, Quaresma, me fale do início da banda, como foi essa união de União com Teresina? (Trocadilho imperdoável).

Quaresma: (Risos). Aconteceu quando eu vim estudar na universidade (UESPI-THE) em 2001. Com o tempo fui conhecendo amigos e amigos dos amigos, até que nos encontramos. De União mesmo só eu e o Júnior. O restante é todo daqui de Teresina. Antes da Validuaté, tínhamos outro grupo, mas já queríamos construir algo com identidade. Daí surgiu a Validuaté.

Ithalo: E esse nome que nunca termina, Validuaté… É um infinito a martelar-me a inconsciência! Como surgiu e o que ele representa pra vocês?

Quaresma: Foi indicação de nosso primeiro baterista (grande abraço, Anderson!) e hoje representa um pedaço de nossas vidas. Surgiu de uma simples expressão e ganhou um sentido, uma identidade e um lugar ao Sol, na música piauiense.

(Nesse momento, quando eu iria fazer a sexta pergunta, dois fatos inusitados aconteceram.

Quaresma usou a expressão “caindo de sono” para designar-me sua atual situação diante do dia corrido. Ele havia ensaiado com a banda até 00h30min. Resolvemos então continuar a entrevista no outro dia, no mesmo horário onde a ansiedade aumenta e as paredes do meu quarto duelam contra a força do meu café. O outro fato inusitado foi que naquele exato momento, para dizer que não aconteceu nada exato naquela madrugada, a xícara estava completamente vazia, com as bordas sujas de marrom).

O dia passou como uma bicicleta nas dunas do Portinho. Trabalhoso. E parecia que as horas não passavam. Não que eu não goste de deixar as coisas para amanhã, mas é que sofro de ansiedade e eu estava começando a ficar impaciente com minha perna trêmula. Resolvi, então, ligar para o meu entrevistado confirmando a segunda parte da entrevista de logo mais. Tudo certo. Fiquei até mais tranqüilo e dei uma volta de carro para acalmar os ânimos. Lembrei de uma canção que dizia: “Não sei onde estou indo, só sei que não estou perdido. Aprendi a viver um dia de cada vez…”. Nesse instante tive um lapso de percepção e notei que aquele CD estava no carro e o pus pra tocar, exatamente naquela música. O trecho era como eu pensava. As horas passaram e a madrugada chegou. Quaresma entrou mais cedo e já fomos direto ao ponto, a continuação de nossa conversa de ontem. Iniciei com o que seria minha sexta pergunta do dia anterior. Silêncio, mais café e no meu player, Validuaté, claro! Eu precisava entrar no clima!
00h11min da manhã.

Ithalo: Ontem a gente parou no nome da banda e eu disse que simples expressões são as mais geniais. O Herbert Viana quando foi sugerir ao Biquini Cavadão o nome da banda, além do atual, sugeriu também Biquini Enterradão, pode? Mas, o engraçado da história foi que o próprio pessoal do Biquini que pediu a ele um nome estranho. Engraçado como rola esse lance de nome, é uma coisa quase que almática, empática e eterna. Agora, queria que me relatasse um momento que você considera histórico pra banda.

Quaresma: Momento histórico pra nós… Acredito que tenha sido o (.....)
Para ler a entrevista na íntegra acesse: http://www.opiagui.com.br/2009/07/ela-e-a-banda-validuate/

terça-feira, 21 de julho de 2009

Concurso "Eu vi a alegria girar!!"





Caríssimos amigos que nos acompanham pelos palcos partidos em festa. Já é tempo de sair do lugar! Você quer participar desse momento vivido pela banda de uma maneira mais intensa, e não sabe como? Seus problemas acabaram!!! Está lançado o concurso "Eu vi a Alegria Girar"! Vá ao show de lançamento no dia 23, no Teatro 4 de Setembro, e leve consigo sua filmadora (pode ser emprestada mesmo, não tem problema...), câmera fotográfica digital, celular e grave trechos do show, música inteiras, o show inteiro se quiser. Fique à vontade para captar toda a alegria dessa noite: um detalhe, um sorriso da pesoa ao lado, uma expressão, um gesto, uma imagem, a energia do show, tudo ou só o que você viu. As melhores imagens serão incluídas no DVD promocional do show Alegria Girar, e os autores dessas melhores imagens ganharão um kit validuaté. (Mais detalhes muito em breve). O material deve ser encaminhado (em DVD) entre os dias 3 e 7 de agosto para o seguinte endereço:




Bumba Records Master Studio


Rua Coronel Cezar 1233


Morada do Sol


CEP 64056-470, Teresina-Piauí.




A seleção das imagens começa logo em seguida e o sesultado será conferido em primeira mão pelos vencedores. Participe! E faça parte dessa história.


Atenção! Estaremos recebendo os materias entre os dias 3 e 7 de agosto em horário comercial. Na sede da produtora Bumba Records, os interessados devem preencher um pequeno formulário com suas informações pessoais.


Mais informações 9411 1262

Abraços fraternos e enormes a todos;

sexta-feira, 17 de julho de 2009

180graus + notícias da Validuaté



Con-fira com a vista a Validuaté em entrevista
ao portal 180graus.

Agradecemos a atenção da Jéssica Lages
e recomendo que coloque os créditos das fotografias
que aquela tão simpática moça fez, rs.

http://180graus.brasilportais.com.br/cultura/validuate-lanca-seu-2-cd-e-fala-sobre-projetos-no-180grausveja-222716.html

LANÇAMENTO DO CD ALEGRIA GIRAAARRR

video

quarta-feira, 15 de julho de 2009

capa diferente + validuaté nova = uhru!!



Sobre o disco Alegria Girar, Ferreira Gullar disse:

caminhos não há
mas os pés na grama
os inventarão

aqui se inicia
uma viagem clara
para a encantação

terça-feira, 14 de julho de 2009

Tomara que sempre chova em todas as tuas festas!


Ouça nossa nova música na íntegra em nosso Myspace! Eu só quero acabar com você! Mostre para amigos. Dedique a alguém especial! Mas alguém que mereça mesmo!


sábado, 11 de julho de 2009

Tá na mão!





Disco na mão!!
Semana que vem começamos as vendas de discos e ingressos para o show do dia 23! As vendas devem começar na loja Bumba Records Music Store (Morada do Sol) e depois em outras lojas. Grande abraço!!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Lançamento


Está chegando o grande dia! E antes do show já teremos o disco na mão. Os ingressos para o show estarão à venda na Toccata Discos (Av. N. Sra. de Fátima, Jockey) e na Loja Joel (centro) a R$ 7 (antecipado é meia para todos). As vendas começam na semana que vem e muito provavelmente do disco também (viche! rimou!). Até breve!

domingo, 5 de julho de 2009

Chacal + Poeta + Relivrança


dj petecão, kilito, chacal, thiago e, alê (percussão) e demétrios


Reli uns textos do querido poeta Chacal e recordei = trazer ao coração novamente nosso segundo encontro em Teresina. Chacal escreveu no seu blog sobre aquela noite de trans-ins-piração. Um abração fortão querido camarada bonito! Agora reproduzo o escrito bem aí assim embaixo:


THE-PI

A Noite de Poesia em Teresina, foi um acontecimento. Tinha uma turma legal. Garotada nova como Thiago e, novo velho mestre, toca cavaquinho na banda do momento em Teresina, Validuaté. Teve Ariene Duarte e seu zine "O Parto". leitura em toda direção. Ela ainda enrola a língua ao falar. Mas se praticar, jajá se apruma. E Manu, grata revelação. voz firme e ótima escolha dos poemas de Viviane Mosé, Ana Cristina e o meu "Língua Lânguida". Tinham uns craques da antiga como Mestre Durva, que falou "Simphaty for the Devil" em inglês. Emendei com meu Lúcifer. Feliciano atento a tudo, dirigiu com discrição a parada e Viriato, que me homenageou com uma versão dele de um texto meu: Chegou a hora .... Teve o Elio, em convulsiva performance, lançando revista nova. Conheci o Arimatan e seu Harém. Antenas da raça. Tinha os craques do agora, Demétrios e Kilito, com quem performei há 4 anos atrás. Kilito tem ótima presença em cena e bom texto. Demétrios está muito mais seguro, tem saber e obstinação. Vai se doutorar em Recife. Precisa de mais vivência, vida no mundo. Pouca vivência e muito verniz, os males da poesia atual são. Deixei um Belvedere com ele para a biblioteca da UFPI. No palco também a excelência do DJ Petecão e da percursionista Alê. Foi uma missa e tanto.

A passagem por The (abreviatura aérea de Teresina) Pi foi galopante. Fiquei num Ibis Hotel, globalizado, moderno e funcional. Fica no meio da zona médica, cheia de clínicas e hospitais. The é referência no atendimento médico no Norte Nordeste. Bem o Ibis não está ali à tôa. Em frente ao Ibis, o Uro Center e sua logo de um pau estilizado. Estrovenga em novas embalagens.

Em dois dias, fiz 3 televisões e 2 rádios, a Cultura FM, do Renato e do Marquinhos e a Teresina FM, no programa do Roberval. Numa das tvs, uma apresentadora muito simpática, me perguntou sobre o livro. Disse que era o meu primeiro livro que ficava em pé. Fui pegar um que faço para vender depois dos recitais para comparar, saí do quadro da câmera e ela ficou explicando o que eu estava fazendo. Ela esbarrou no Belvedere, o livro-que-fica-em-pé caiu no chão. Foi impagável.

Durante toda essa gincana de show, rádios e tvs, produção de um impresso com o poema T. Rex Cine, ida ao Banco do Brasil para comprar dólares para levar para Quito amanhã, a companhia especial da divina Eliete e da super executiva Soraya Guimarães, ousadas e abusadas irresponsáveis pela minha ida a The / Pi. A elas dediquei meu poema sempre em progresso, T. Rex Cine. Vamos tornar a tramar assaltos. Sonho com um circuito Off de poesia Teresina-Fortaleza-São Luís. Lá onde o tempo passa com mais carinho e as pessoas se alimentam melhor de versos e rimas. E um evento, já desenhado com a Eliete e o Durvalino, chamado "Pelas 3 da madrugada", na hora fresca da cidade, recitais-performances-instalações entre quiosques à beira rio, em homenagem a uma das mais dilacerantes letras de Torquato Neto, alma que ainda reverbera bela por essa cidade caldeirão. Essa cidade de Elietes, Durvalinos, Thiagos, Sorayas, Kilitos, Demétrios, Arienes, Manus, Felicianos, Arimatãs, Viriatos, Petecões, Alês, Marquinhos, Renatos, Robervais e mais nosotros artistas em trânsito, que devemos fazer o impossível para essa reconciliação com o espírito parabólico, míssel, anos luz além, aqui-agora de Torquato. Com muita arte, com muitas palavras e imagens. Sem isso, a vida vale pouco. Três da madrugada, quase nada.

ps: quem fotografou a noite, por favor, me mande algumas fotos. eu perdi a cabo para baixar as fotos. estão na minha câmera.

aqui para quem interessar, como eu, possa, o link da banda VALIDUATÉ, onde meu chapa THIAGO E trabalha. vale a viagem. www.myspace.com/validuate

___________________________Por Chacal em Novembro de 2008

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Apresentação no Salão de Humor!


___VALIDUATÉ
_______________HOJE
______NO
__________SALÃO DE HUMOR

dê as caras por lá!

EXTRA! EXTRA! ÚLTIMA NOTÍCIA!
Nossos Produtores Avisam Que
Todas as Pessoas da Imgem Acima
Estarão Presentes Na Noite de Hoje!

Não Perca!

Obrigados.

Nós no Salão de Humor


pôster do filme Acossado
o cartaz está aqui só porque é bonito mesmo
não há nenhuma delonga de argumento coerente, não...


Uma fofoca:
a VALIDUATÉ está com um STAND na Praça Pedro 2.
Na frente do REX.

Depois daquele toldo, lá estamos todos, hehe!

BLUSAS e DISCOS à venda!!

Conversas, cartões, notícias e algo mais DE GRAÇA!

________________Apareça! Não deixe de ir!

Validuaté: despontando para o anonimato!

domingo, 28 de junho de 2009

Mundo multidão mil



Minha queridississíssima amiga SÓ – Maria do Socorro Fernandes de Carvalho – foi professora do Quaresma, do Wagner e minha também na graduação em Letras, na UFPI. E me deixa repleto de contentamento acrescentar que a SÓ, este ano de 2009, orienta o Wagner no mestrado! Então. Quando eu esboçava minha pesquisa como bolsista CNPq sob a aguda supervisão da SÓ, ela me mostrou alguns livros do poeta português E. M. de Melo e Castro. Num deles eu li-vi o poema visual “mundo multidão mil”. O som das três palavras encadeadas encantaram subitamente. Comecei dentro do ônibus a fazer a letra acompanhada de um ritmo improvisado. Mas, depois de conversas com Quaresma, virou um rock que diz um pouco da inventividade das pessoas, da esperança e dos movimentos vários das culturas do mundo. Marx, Freud e Jesus Cristo também estão aqui. É só encontrá-los hehehehe! Um beijo, SÓ!

Ela é



Quaresma fez a canção sozinho. Quase todo mundo pergunta quem foi sua musa, quem é essa mulher. Ele sempre ri. Antes eu pensava: AH! Quaresma galanteador... fez a música pra mulher que passa. Porém, agora descobri a verdade e digo que a famigerada cunhã não é inspirada em ninguém que você conhece. Ela é uma mistura de Num Se Pode com King Kong e mora solitária numa floresta escura de árvores escuras e milenares. Gigante e pedante, ela leu Hamlet (a parte em que ele, com uma caveira na mão, conversa com Horácio e fala: “vai agora aos aposentos de minha dama e diz-lhe que por mais grossas camadas de pintura que ela ponha sobre a face, terá de chegar a isto. vai fazê-la rir com essa idéia...”). Porém ela não entendeu nada. Depois leu as palavras do filho de Davi, no Eclesiastes: “Vaidade! Vaidade! Tudo é vaidade”. E continuou sem entender bulhufas. Embuste ou não, a fim de ficar cada vez mais bela, ela se alimenta de camponeses musculosos e lindas camponesas que moram perto da floresta escura...

Junto



Era sete da noite. A tv estava ligada sem som. Eu cantava sambas de tristeza e lágrimas ao violão. O incrível é que melancolia e contentamento estavam misturados. Daí aproveitei a seqüência harmônica na qual a maioria dos sambas são feitos e letra e melodia saíram juntas. É uma celebração da alegria dos encontros cheios de êxtase. O quaresma sempre brincava com a parte final da letra dizendo “até chorar”... e ficou assim sendo composição nossa. Nas apresentações ela foi se aprumando. O Júnior sempre que começa a canção na guitarra fica numa concentração engraçada – o John que o diga – mangando, obviamente. O solo que o vazin faz faz bem. Viva o Jr. Caixão! Viva o John Well! Viva o Vazin! Outro viva para a alegria dos encontros cheios de êxtase... até chorar... e rir em seguida.

Céu%



Num fim de tarde, a chuva e o fogo do sol inteiramente unificados no céu. Nunca tive tão fulgurante visão do firmamento como naquele dia. Exceto ao ler o Federico Garcia Lorca. Naquele suicídio da tarde, tinha absoluta certeza de que seria algum apocalipse de fim-começo de mundo, as trombetas iriam tocar um som metálico-trágico e conheceria pessoalmente, enfim, Gabriel, Mercúrio, Pigmalião, Jesus, Zeus... toda a multidão celeste. Debaixo de grossa chuva com goteiras, estrelas, lua e sol e noite ao mesmo tempo fui escrevendo o texto. Comecei a melodia e parei – estava muito eufórico! Depois terminei a canção com Quaresma. Contudo, essa experiência verídica-fantástica foi somada às lembranças do verso do Lorca “o mar sorri ao longe: dentes de espuma, lábios de céu – do poema “balada da água do mar”. Desse verso escrevi as letras de céu% e o mar e o pano. Vieram coladas do mesmo Lorca, do mesmo céu total.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Superbonder



Quando o Quaresma me convidou para entrar na Validuaté, em 2004 – era manhã, estávamos num treiler na UFPI batucando numa caixa de bateria – superbonder a primeira canção que mostrei pra ele... que ria, ria e provavelmente não aprovava... mas me perdoava! HeHeHe! Eu estava, e ainda estou, interessado nas discussões acerca da e com a época em que vivemos. Uns falando de pós-modernidade, outros intensificação da modernidade, outros ultramodernidade, outros não falam nada... Reuni um ultraindividualismo vigente, um hedonismo levado às últimas conseqüências, uma fragmentação de tudo e um fim das utopias e fiz Um Hino Para a Pós-Modernidade: um samba-gingle-sátira!

Superbonder é também uma homenagem ao queridissíssimo e, infelizmente, menos lido e menos ouvido JORGE MAUTNER!!! Ainda escreverei mais sobre o Jorge Mautner em outra oportunidade. Mas aqui digo ainda que fiquei-fico arrebatado de agito no espírito, cheio de riso quando algumas pessoas que assistiram-assistem a uma e outra apresentação da Validuaté vieram-vêm conversar comigo e falaram-falam terem visto alguma parte da obra do Jorge Mautner após escutarem Superbonder, pois jamais ouviram o nome desse artista antes! Triste não ser novidade. Mais uma injustiça no Brasil. No entanto, John Well, Vazin, Quaresma, Júnior, Wagner e eu estamos com o espírito musculoso para contar as nossas anunciações, as nossas boas novas, nossos evangelhos. Para finalizar, quero enviar um abraço para o querido menino George, filho do Janin e sobrinho do Vazin, que ouve Superbonder – com a atenção que as crianças interessadas dão – para gritar no final da canção: “ei mããããããe...”.

Meu bem, nem venha



Canção que quer ser brega-romântica. Fica envolvente quando todos estamos de óculos escuros dando dois pequenos passos para direita, depois dois pra esquerda. Iluminados por luzes cor de rosa. Fazer cara de sedutor cafajeste como o Vazin, ou pôr uma rosa vermelha na boca e imitar o corpo de um canalha proxeneta de filme dos anos 70, como o Júnior, também funciona.

Pelos pátios partidos em festa


fotografia do Quaresma
beijo para a artista plástica Meire Fernandes
e para o Phillipe Xadai pela contribuição visual


Um camarada-poeta-professor-de-outras-histórias, Demétrios Galvão, contou o seguinte: thiago, os poetas Cláudio Willer e Roberto Piva estavam num bar quando viram passar um caminhão de mudança, cheio de móveis e compunha uma imagem surrealista - na carroceria havia um armário com as portas abertas que se fechavam com forte barulho e louca violência sobre a carroceria, além de um lençol azul preso no móvel que esvoaçava ao vento. Mais tarde, o Willer e o Piva descobriram que André Breton havia morrido no mesmo dia! E aquela visão, com certeza, era seu espírito se despedindo. Achei intrigante, resolvi acreditar na história e me vieram várias imagens à mente. Escrevi um texto de quatorze versos que depois, com o Quaresma, modificamos e acrescentamos para caber na melodia que fora criada. Vimos que o significado do trecho “pelos pátios partidos em festa” dizia a proposta da banda. também de certa-muitas formas ligada ao poema do Nietzsche no Humano, Demasiado Humano em que ele fala de "homens alegres, livres pelo coração".

Podes crer na dúvida



será que as estrelas são goteiras do telhado de Deus?!
ou
as goteiras é que são estrelas do telhado meu?!

Atividade Proposta
Vazin avisa: a média é 7.
Depois de ouvir o regue que professor Quaresma compôs há alguns anos, marque a opção que acredita ser válida para as seguintes perguntas:


1ª) quem inventou o antes?

a) alberto silva
b) o magro de aço
c) o acaso
d) deus
e) depois eu te digo


2ª) quem foi que fez o nada?

a) mão santa
b) muitos funcionários públicos
c) os gerentes do SETUT
d) a juventude contemporânea
e) quem deu sabedoria a quem pudesse duvidar

...................................good luck