segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Validuaté em Sesc's de São Paulo

em araçatuba - sp ------------- fotografia | andré valuche |

mais uma vez fomos a são paulo divulgar nossa música! dessa vez, nos apresentamos nos sesc's de piracicaba e araçatuba e ainda fizemos um show de bolso no espaço urucum - na vila madalena!

divulgação do sesc, birigui

ficamos muito felizes em contar com o apoio da produtora bárbara nepomuceno, em teresina - e do produtor andré valuche, em são paulo. união de esforços e amizades que se desenrolam nessas pequenas empreitadas = obrigados, bárbara e andré!

divulgação do sesc de piracicaba

logo postarei mais registros dessa viagem de 4 dias muito intensos e milhas e milhas rodadas de van, avião, ônibus, metrô, táxi, pernas, coração e cabeça.

fotografia - andré valuche

sábado, 22 de outubro de 2011

Quaresma na revista Piauí Terra Querida


nesta terça, tocamos na Praça Pedro II em comemoração ao dia do Piauí.
na noite foram distribuídos exemplares da publicação Piauí Terra Querida
que divulgava a arte feita por várias pessoas talentosas - entre elas,
Hudson Melo, Mirton de Paula, Adler Murad, Jimmy Charles, 
Mayara Cavalcante, Bernardo Aurélio e Quaresma. 

a gente agradece especialmente à Vanessa Mendonça, 
Fenelon Rocha e Paula Danielle
muito obrigados, pessoal! 

                                                       fotografia de Danilo Medeiros

| clicar na imagem para ler |

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

entrevista com Validuaté

                                                                                                                                                                                           foto - André Leão

PAULO RICARDO, estudante do mestrado de história da ufpi, 
fez uma pequena entrevista conosco. 
valeu pela oportunidade, paulo! confira:

Primeiramente gostaria que você se apresentasse (nome, idade, profissão/ocupação, ...)

Quaresma – 28 anos, natural de União, músico, artista plástico e publicitário.


Thiago E – 25 anos, poeta, músico, professor, driblador de gagueira.

Percebe-se, por assim dizer, uma característica da banda em certas composições usar de um refinado lirismo poético para falar de coisas do cotidiano e em outras (ou muitas vezes na mesma composição) usam de sentenças simples para, do mesmo modo, falar do mesmo cotidiano e/ou de situações corriqueiras. Quais são as inspirações para as composições da banda (letras e música) e quais suas referências?

Quaresma – Para a composição de todo o trabalho da banda nós somamos as experiências de cada músico, as referências que cada um pode trazer para a construção de uma nova síntese. É claro que isso nem sempre é possível em todas as músicas, mesmo porque algumas nascem dentro de um estilo que demanda certo respeito à manutenção de seus elementos, e mesmo porque não há como pôr tudo num único lugar sempre. Assim há as canções que são mais “bregas”, outras mais samba, outras mais reggae, e outras estritamente mais rock. Quanto à poética, ou ao texto propriamente dito, os caminhos percorridos são determinados pelas temáticas que deram origem a cada canção. Se a música é de abandono, e tem um tom mais sério, não é adequado o uso de expressões que denotem humor. É uma questão de decoro. Se num mesmo texto, ou numa mesma letra, há a convivência de momentos mais eruditos (ou mais poéticos) e outros mais populares (e mais prosaicos), em geral um é pra “tirar onda” do outro. Isso nasce das leituras do mundo e das literaturas que nos acompanham desde os tempos de colégio até os momentos de descanso numa rede de tucum, no terraço, sob a sombra de um pé de jambo, numa tarde quente, logo depois do almoço.


Thiago E – As ins-pirações são variadas. Quaresma e eu compomos as canções da banda. Vazin ajudou a compor a música O HERMETO E O GULLAR e meu intuito é que o grupo inteiro componha também. Gosto bastante desse ambiente de criação orgânica, total. Um ideal de invenção grupal. No meu caso, particularmente, me ins-pira falar de coisas ou situações inusitadas, irônicas. Me interessa pegar um tema, um assunto – por exemplo o mar – e investigar muitas maneiras de descrevê-lo: o mar parece um pano / faz ondas de todo tamanho / tal qual o pano quando está ventando ou o mar rumina a terra o tempo todo. O Quaresma geralmente trata de relacionamentos, uma relação amorosa. E eu ainda não sei fazer música assim. Vou aprender [risos]. Mas nós 2, por exemplo, temos a mesma inclinação para o humor. Aliás, a Validuaté inteira (John Well, Vazin, Jr e Davi) tem um senso de humor maravilhoso. Não tratamos a expressão artística de um modo sério. As pessoas confundem os significados das palavras: ser sério é uma coisa; ser responsável é outra. O próprio Nietzsche diz que todos sabem que a seriedade de muitos é pra esconder a incompetência... Realmente – o riso, muitas vezes, é desvalorizado, menosprezado. Quantas verdades sérias não foram ditas rindo? E assim cada experiência pessoal, um susto, uma gagueira, poemas, filmes, uma tontura, uma leitura vai instigando o processo criativo.    

Até que ponto o fato de ter profissionais de Letras na banda influencia no que é escrito?

Quaresma – Considerando que as letras foram compostas em quase sua totalidade por mim e pelo Thiago E, há que se considerar que no mínimo nós brincamos com o que estudamos e exercitamos algum mimetismo do que admiramos da obra de grandes compositores/escritores. Sabe quando a gente lê um bom texto, um bom verso, ou escuta uma boa música e diz pra si mesmo: puxa, como eu queria ter feito essa música (ou esse texto, ou esse verso)!? Depois desse espanto bom, ou por exercício ou por encantamento, as composições surgem. Às vezes inteiras e musicalmente completas (letra, melodia e harmonia), às vezes em forma de texto, que pode decidir-se unicamente poema, ou tornar-se letra de uma nova canção. Ah, e existe (é claro) o alerta para os deslizes gramaticais. O que estiver de estranho nesse aspecto, tenha certeza que é proposital.


Thiago E – Não sei. Não acho que as músicas são melhores porque profissionais de Letras fizeram as músicas. Tem muito profissional de Letras que não escreve nada e tem profissionais de outras áreas, ou pessoas que sequer são profissionais, que tem um apuro com a linguagem poética impressionante! Cartola só terminou o primário. Patativa do Assaré se alfabetizou só aos 12 anos e não seguiu escolaridade formal... Quantos artistas competentíssimos não construíram uma obra longe da escola? O que importa é você se interessar por uma linguagem e investigá-la, sentir prazer nessa prática artística e, aos poucos, você vai aprumando sua estética, seu sotaque próprio. Não foi o curso de Letras que me fez gostar de poesia, de escrever. Eu já gostava e resolvi fazer o curso. Na verdade, me iludi: eu não pensava em ser professor, em estar construindo uma carreira profissional. Eu queria mais era ler e aprender. Fazer o curso foi um pretexto pra ficar perto da literatura. Quando eu tinha 17 anos, se eu soubesse quanto um professor ganha, teria feito outro curso e continuaria com a poesia da mesma forma [risos]. E, obviamente, o que acabei vendo no curso, na biblioteca, acabei transferindo isso para as músicas que fiz – só, ou em parceria com Quaresma. Porém curso nenhum garante nada. E o que garante? Cada caso é um caso. São muitas variantes: família, renda familiar, amizades, sorte, talvez genética, uma boa escola com professores bem pagos... 

 
                                                                                                                              PELOS PÁTIOS PARTIDOS EM FESTA |2007|


Como você definiria o estilo da banda? Por quê?

Quaresma – Desde que nos propusemos a formar o grupo, e decidimos criar o próprio trabalho, sabíamos que a base de tudo seria rock, mas não seria possível permanecer em um único estilo. Por opção nossa, o que é uma das maiores vantagens de nosso trabalho, a liberdade de criação nos afasta de permanecer em um rótulo único. Na verdade o estilo da banda é justamente o que a afasta de ficar em um estilo só. Mas nós dizemos que é rock, porque ele está no meio de nós.


Thiago E – Não definiria. Pra que definir? Por que se encerrar em um rótulo? Eu posso marcar um “x” na categoria “outros”? A arte tem uma importância imensurável na minha vida. Arte é prazer. Arte não é definida. Temos várias versões. O prazer não é definido. A vida não é definida. O problema é que no sistema capitalista, de consumo, tudo que existe tem que servir para alguma coisa. Por que ele pode ser comprado! Então ele deve ir pra uma prateleira e ser categorizado. E, quando aparece algo que não se define, o sistema enlouquece! [risos] Porque não é compatível com a vida. O estilo da banda é o que queremos naquele período. A gente faz uma música pop, toca samba com rock, tem boi, maracatu... Essa é minha versão. Mas pode vir uma pessoa e dizer que temos um trabalho perfeitamente categorizável e tudo. Beleza, é outra versão. E as conversas vão acontecendo. Contudo, a gente não se IDENTIFIXA.

Como definir o estilo dos dois CDs?

Quaresma – O primeiro é mais um mosaico das canções que faziam sucesso nos shows da banda. O segundo foi planejado e construído com o tempo em que amadurecemos sua concepção. Há quem veja o primeiro como mais alegre e o segundo como mais triste, quando na verdade há os dois momentos em cada disco.


Thiago E – Eu já falei um pouco sobre isso na resposta anterior, mas tem mais coisas. Nossos 2 cd’s, PELOS PÁTIOS PARTIDOS EM FESTA |2007| e ALEGRIA GIRAR |2009| são diferenciados, principalmente, pela qualidade técnica. Além de inexperientes, tivemos problemas com o estúdio durante a gravação do 1º disco. E, tecnicamente, a qualidade do áudio saiu ruim. O estilo das músicas é basicamente o mesmo: a batida rock perpassa as canções, ritmos misturados, uma interseção com a poesia, um pouco do fazer da música brega também, etc. Percebo que tem músicas que poderiam ser trocadas de álbum e não alteraria seu conceito, pois temos essas característica de tocar músicas diferentes uma da outra e o cd parecer uma boa coletânea [risos]. Gosto desse comportamento nosso de transitar pelos gêneros. O estilo dos 2 cd’s não é IDENTIFIXADO [risos].


 

                                                                                                                                                                          ALEGRIA GIRAR |2009|

Como você definiria, em relação a estilo, o público da banda?

Quaresma – Complicado dizer. Nosso público é novo e é maduro. Temos pessoas de todas as idades acompanhando o trabalho da banda. Imaginamos um público que anda muito ávido de consumir música piauiense por muito, muito tempo. Isso é bom para todos os artistas do estado.


Thiago E – Com uma música diversa, o público que se interessa pela banda também é diverso. Ficamos super felizes em ter agradado jovens e nossos amigos de universidade da mesma geração – que é a maior parte do nosso público – nossa família e vizinhos que não conseguiram ter uma escolaridade formal maior. E, ao mesmo tempo, professores acadêmicos que se divertiam e elogiavam nosso som, o que estávamos fazendo. Estamos conseguindo nos comunicar com muita gente. Conseguimos uma participação do grande ator e dublador Isaac Bardavid, de 80 anos!, e ele achou a música bonita. [risos] Até garantiu que participaria de outro trabalho! No começo de 2011, também visitamos o grande poeta e tradutor Augusto de Campos, também com 80 anos!, e ele disse que havia ouvido o disco ALEGRIA GIRAR e gostou – falou que fazíamos uma música com algo puro do Nordeste com uma pegada JimmyHendrixiana [risos]. Então, essa troca não tem preço! Só emoção feliz.

Em que rumo, se possível for falar disso, andam os projetos futuros da banda no que diz respeito, mais uma vez, ao estilo que vai ser produzido?

Quaresma – Não sabemos ao certo. Eu particularmente estou muito ansioso pelo próximo disco. É como se ele já estivesse em algum plano da existência só aguardando o momento certo para se materializar, canção por canção. Creio que ainda estaremos muito à vontade para experimentar misturas de estilos, andar pela poesia e dançar pelo cinema. O melhor da música é poder falar de tudo e encantar pelo som, pela imagem que as letras sugerem, e pelo ritmo. Quero me surpreender com o próximo disco.


Thiago E – Por enquanto, a gente pretende continuar se misturando, não se IDENTIFIXANDO. Temos muitos planos: mais parcerias com artistas que admiramos, músicas novas sendo feitas, novas idéias e idéias antigas que ainda não foram postas em prática, fazer mais clipes, cd novo, DVD, essas coisas boas. Acredito que nossa música permanecerá pop, com samba, o rock sendo o baldrame de tudo, e o mais que a gente venha a inventar. Mas, claro, tudo pode mudar.

31.08.11

Bar do Jr Caixão é notícia no OVERMUNDO



A incrível história do bar que ao mesmo tempo é funerária, e virou palco importante da cena musical alternativa no Piauí

“Não sei te informar. A gente alugou tudo, menos isso aqui.”

“Isso aqui” foi a forma como a teresinense Cibele Taíse se referiu à Funerária Monte Cristo, a mais antiga da cidade de União, município localizado a 50 km da capital do Piauí. Fundada em 1982, há 10 anos a Monte Cristo divide, por mais dicotômico que pareça, o espaço com o bar Recanto do Caranguejo.

Cibele faz parte do grupo Piauí Trilhas, que nos dias 2 e 3 de julho montou acampamento no Recanto do Caranguejo – aproveitando o período de quase um mês que o bar passou desativado. Além de Cibele, outros 19 integrantes do grupo passaram dois dias divertindo-se, alimentando-se e dormindo no bar que é vizinho, sem nenhuma parede divisória, da Funerária Monte Cristo. Haja coragem!

A moça explica que não tem ideia de onde estaria Júnior Caixão, o proprietário do bar e filho dos donos da funerária – cujo apelido tem origem óbvia. O espanto ou repulsa dos frequentadores do bar à funerária não é incomum. Nem assim ele vive às moscas.

Júnior partiu da Funerária Monte Cristo ao nosso encontro, logo ao lado, em uma mesa no Recanto do Caranguejo. Entre a funerária e o bar, apenas a garagem onde ficam os veículos em que Júnior faz “atendimento 24h”, buscando corpos, deixando caixões, na rotina de um verdadeiro papa-defuntos. “Essa garagem enorme (lugar em que está instalado o Recanto do Caranguejo) era o local onde meus amigos vinham fazer uma roda de música, com muita bebida... Surgiu então a ideia de fazer um bar. Pensei: já que eu não tenho onde tocar, vou tocar ao menos aqui”, diz Júnior Caixão, que também é guitarrista, aos risos.

Com a clientela do bar crescendo, Júnior passou a desenvolver algumas técnicas para não misturar os dois negócios e minimizar possíveis embaraços aos clientes dos dois estabelecimentos. “Muitas vezes passo o caixão pela janela da frente da funerária para não ter de passá-lo pela lateral, onde as pessoas do bar podem ver. Às vezes, tenho de baixar o som do bar porque chega alguém mal por conta da morte de uma pessoa próxima e está tocando Black Sabbath”, revela.

Em um bar/funerária não faltam situações inusitadas relacionadas ao medo que as pessoas eventualmente podem sentir de “manifestações vindas do além” ou de objetos que remetam à morte, como caixões e mortalhas.

“Já houve caso de uma pessoa vir buscar caixão para uma pessoa não muito próxima e pedir, bem baixinho, uma cervejinha enquanto a gente preparava tudo. Outro dia, uma senhora chegou aqui e estava tocando Caetano Veloso. Ela disse: tem caixão ali, mas eu não estou morta, não. Tira essa música de velório”, conta Júnior Caixão, para em seguida lamentar: “Tem um médico da cidade que não frequenta o bar por causa da funerária. Aliás, tem muita gente que não vem mais por causa disso.”

O trocadilho “morto de bêbado” é um clássico no bar/funerária. Outro alvo frequente de brincadeiras são os tira-gostos (aperitivos). “As pessoas ficam perguntando ‘não são dali não, né?’ e apontando para a funerária”, conta o dono do bar.

Acostumado ao trabalho na funerária desde criança, Júnior Caixão afirma que encara as diferenças do dia a dia como proprietário dos dois estabelecimentos com total naturalidade. O que para os outros parece inusitado ou até incompatível, para ele é comum. “Já larguei o trabalho como garçom no bar para ir deixar alguém que morreu em algum lugar e voltei para servir no bar novamente. Quando eu era criança, eu brincava com os caixões”, lembra.

Assim como a funerária, o bar tem atendimento 24 horas. “Menos quando tem show da banda. Mas essa é a vantagem de morar no local de trabalho”, brinca Júnior. Isso mesmo, além de administrarem um bar ao lado da funerária, Júnior, eus pais e sua filha moram nos fundos da Monte Cristo.
“Depois da cachaça, todo mundo diz que viu algum fantasma”




O grupo Piauí Trilhas escolheu “hospedar-se” no bar/funerária por indicação do casal Karla Lobão e Brígido Neto, naturais de União e amigos de Júnior Caixão. Formado por destemidos aventureiros de União, Teresina e Brasília, o grupo tem percorrido todo o Piauí em busca de destinos ecoturísticos. “Este é um lugar diferente. Um local de boa música, de poesia. A gente já conhecia e resolveu trazer o pessoal para cá”, conta Brígido Neto.

Já Karla admite que algumas pessoas se assustaram ao saber que o ponto de referência do local de estada durante o fim de semana em União era a Funerária Monte Cristo. Nenhum deles jamais havia dormido tão perto de uma funerária. “Com o tempo todo mundo se acostumou. A gente, por exemplo, já veio beber aqui inúmeras vezes e nunca teve problema nenhum”, garante.

Segundo Brígido, “depois da cachaça, todo mundo diz que viu algum fantasma”. “Quando o pessoal está bêbado, começam as histórias de mortos-vivos. Mas tudo é fantasioso e proporcional ao grau alcoólico”, diverte-se. Animados e já tendo ingerido bebida alcoólica naquele sábado, os integrantes do Piauí Trilhas não perderam a oportunidade de tirar fotos ao lado dos caixões nem de fazer piadas sobre local.

No dia 15 de julho, o bar volta ao seu funcionamento normal, após uma paralisação de quase um mês. “Como a banda (a Validuaté, que você conhecerá logo adiante) está com um calendário muito intenso de shows, inclusive com apresentações fora do estado, resolvi desativar o bar e fazer umas reformas. Mas voltamos a funcionar para aproveitar o período de férias, e os festejos, que começam em agosto”, afirma Júnior. Comuns no Nordeste, as festas populares celebram o santo padroeiro de cada cidade ou bairro. Em União, a homenagem de agosto é para São Raimundo Nonato.

Detalhe: durante o período em que o Recanto do Caranguejo esteve desativado, as atividades da Funerária Monte Cristo seguiram normalmente.

Uma banda criada em meio a caixões e mesas de bar

Júnior Caixão é guitarrista da banda de maior expressão no cenário musical piauiense na atualidade – criada nas rodas de música do Recanto do Caranguejo: a Validuaté. O grupo tem dois CDs lançados (Pelos Pátios Partidos em Festa, de 2008, e Alegria Girar, de 2009) e um DVD gravado em conjunto com outras bandas piauienses (Amostra Cumbuca Cultural, em 2008). O grupo coleciona elogios da crítica especializada – até mesmo de grandes veículos da imprensa nacional – e já pode dizer que têm uma legião de fãs.

Não são quaisquer fãs. São fãs ensandecidos por Validuaté. Fãs que lotam todos os seus shows, que cantam a plenos pulmões todas as suas músicas e que sempre saem de suas apresentações com gostinho de quero mais – em um único show é impossível tocar todos os sucessos da banda.

Um deles, aliás, canta a cidade de União, onde tudo começou. Em seus versos,
“Cortesia” retrata as características da cidade e a saudade que se sente dela: “De vez em quando o céu me nega o chão/ É que eu me lembro do céu de União/ De puro anil dessemelhante cor/ Lá eu quero descansar cantar, o seu calor/ Me embriagar com seu profundo amor/ Pestanejar na morbidez do dia”. Por coincidência ou não, a música fala em embriaguez e morbidez na mesma estrofe. Lembra alguma coisa?

Do pó ao pó

Foi Papel de Parede, primeira banda de Júnior, que fez o show de inauguração do Recanto do Caranguejo, em agosto de 2001. Até hoje o bar serve como palco para bandas da cena alternativa local e de Teresina. “Mas não conseguimos promover shows com uma frequência maior. Ainda não se tem público tão bom quanto em outros locais. E também falta patrocínio. Mas a cada dois ou três meses fazemos shows aqui”, conta o dono do bar, funcionário da funerária e baixista nas horas vagas Júnior Caixão.


Antes da Validuaté, Júnior e José Quaresma, o talentosíssimo vocalista, produtor e um dos compositores da banda – que ainda toca viola, escaleta e gaita – apresentavam-se com a Papel de Parede junto de outros dois amigos: Fernando, hoje integrante da banda Fragmentos de Metrópole, de Teresina, e Diego, que deixou o Piauí para estudar em conservatório de música no Rio de Janeiro. “O Zé e eu nos conhecemos há muito tempo. Estudamos juntos. Com a Papel de Parece tocávamos MPB. Nosso repertório era ‘Se’, do Djavan, ‘Sampa’, do Caetano”, lembra Júnior Caixão.

Apenas em 2004 a banda tornou-se Validuaté, ganhou novos integrantes: o performático Thiago E., vocal, cavaco e pandeiro; Vazin, vocais e guitarra; Wagner, vocais e baixo; e Jonh Well, bateria. Mas hoje a banda já tem nova formação. É que Wagner Costa deixou o grupo para dedicar-se ao doutorado, na Universidade de São Paulo. “Já na época do mestrado dele foi muito difícil. Ele passou seis meses em São Paulo, e nós ficamos contratando alguns músicos para os shows. Depois disso, fizemos dois shows com a formação original, em março e em maio”, diz o guitarrista. O lugar de Wagner agora é de Davi Scooby. Thiago E. e Quaresma são os principais letristas da banda. “Eles já trazem para a gente a letra e o chão da música. Depois, a gente vai trabalhando”, diz Júnior, referindo-se ao trabalho de criação musical com o colega Vazin.

O nome do grupo, diga-se de passagem, veio de uma embalagem de biscoitos que o grupo comia durante um dos ensaios para o Festival Chapadão, um dos mais tradicionais concursos para novos talentos de Teresina – e vencido pela banda. Validuaté foi criado a partir de “válido até”, indicação da validade do biscoito. Os músicos gostaram das diversas interpretações possíveis para o termo: Validuaté, valido até, vale do até...

“A maioria das primeiras músicas da banda surgiu aqui, no bar, ao lado da funerária, como ‘Ela é’ e ‘Eu que sou Zé’”, lembra Júnior Caixão. Validuaté toca no Recanto do Caranguejo ao menos uma vez a cada semestre.



Na lista de parceiros de peso estão o poeta maranhense Ferreira Gullar; o pernambucano Lirinha, ex-Cordel do Fogo Encantado; o ator, cantor e compositor baiano Zéu Brito; e até o carioca Jorge Mautner.


...mais informações no site 
http://www.overmundo.com.br/overblog/ha-quem-beba-o-morto-ha-quem-chore-a-saideira

quinta-feira, 19 de maio de 2011

dia 26 será a 14ª Poesia Tarja Preta


no evento também ocorrerá o lançamento 
da hq Hipocampo 4 VETOR PAGÃO
do artista plástico Amaral 

Canteiro de Obras fica pertinho da Praça do Fripisa
no cruzamento da Eliseu Martins c/ Anisio de Abreu.

Apareça e visite alguns poemas! até já já!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Zéu Britto canta Bruta Como Antigamente no Canal Brasil


Zéu Britto gravou um clipe de Bruta Como Antigamente no seu programa no Canal Brasil - Zéu de Estrelas. Fiquei lembrando de quando comecei a compor a música em casa e, depois, desenvolvemos com Quaresma e Ricardo Totte... E agora perceber que uma simples idéia se desdobra e ganha proporções de maravilha nunca dantes imaginadas! Muitos obrigados, Zéu e Gilson! Que felicidade! 

Não perca! O vídeo está nos trink's!

sábado, 14 de maio de 2011

Zéu Britto e Validuaté ensaiando

                                                           fotografia - Lívia Medeiros

Durante a noite de ontem, Validuaté e Zéu Britto ensaiamos um repertório variado para o show de logo mais no Teresina Rock - dentro da programação do Salão de Humor 2011. Zéu e o produtor Gilson estavam super entusiasmados e, pra não perder o ritmo, entre uma música e outra e dentro das músicas também muitas piadas, sadomasoquismos, interpretações, gargalhadas e mais um sem-fim de histórias e causos inusitados. A gente fica um íssimo de felicíssimo quando tem esses encontros maravilhosos de simpatia, espantos bons, presentes e reconhecimento de amizade. Como diz Vinícius de Moraes: "amigo não se faz, se reconhece." Zéu já anunciou que, no fim do ano, lançará um livro de crônicas e poemas chamado Mingau das Almas. E, para 2012, lançará um disco novo intitulado Galante - no qual gravará Bruta Como Antigamente. Também planejamos parcerias e fizemos uma previsão do tempo: momentos sujeitos a belas novidades vindas da corrente nordeste-sudeste.

                                                          fotografia - Lívia Medeiros

Validuaté apoia a Greve dos Professores Municipais

Errar é Elmano
                                                                                                         fotografia - Janin |irmão do Vazin|


Ontem, 13, a Validuaté tocou na Festa das Greves, no centro da cidade. Eu e Vazin também somos professores da rede municipal de ensino. Estamos grevando e apoiando o movimento dos professores da educação básica em prol de melhores condições de trabalho e o justo repasse salarial. A injustiça com os professores é de um absurdo tão grande que, para que a situação fique digna, as mudanças devem ser na raiz - radicais. 

                                                                                                         fotografia - Janin |irmão do Vazin|


A imprensa piauiense, infelizmente, não está dando a importância necessária à greve dos professores municipais - percebemos jornalistas de rabos presos em toda parte. Estamos tentando mudar isso. 

                                                                                                         fotografia - Janin |irmão do Vazin|

A greve continua. Elmano, a culpa é sua!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Maio mês das novas


Salve, Salve caríssimos amigos. Sete anos se passaram e muita coisa aconteceu. No geral, muitas coisas boas. As poucas ruins nos fazem aprender sempre. E vamos seguindo com cada vez mais vontade de trabalhar, criar, e ganhar o mundo com essa música no peito.

2011 começou com um movimento um pouco maior da banda. Passos mais largos e caros, mas que certamente trazem as maiores recompensas. Há muito o que fazer. Sempre haverá. Mas ao conhecer novas cidades, e mais pessoas que entram no nosso barco, vemos como o Brasil é lindo e nos reserva grandes prazeres na vida. O prazer de encontrar nossos ídolos e nossos fãs. O prazer de voltar pra casa com a bagagem maior e melhor, e aqui eu falo em algo além de malas e sacolas. O prazer de sonhar com as próximas aventuras.

Maio é o mês de aniversário da Validuaté. Além de ser um mês muito bonito. Outono: no Piauí outono lembra cenas de desenho animado, com árvores se desfolhando. Por aqui ainda é nosso inverno. Algumas coisas que estavam paradas retomaram seu rumo, como o site da banda. Paralelo a isso, vamos continuar a alimentar nossas outras páginas em sites de música: MySpace, PalcoMp3, Oi novo som, MelodyBox, Conexão Vivo...

O maior projeto de vídeo do álbum Alegria Girar enfim começa. O clipe de A Lenda do Peixe Francês. Aos poucos vamos dando notícia dos detalhes, making-off, extras, lançamento e tudo mais. Curiosos?

Aos sete anos de idade a Validuaté sofre sua primeira mudança de integrante. Nosso querido baixista Wagner Costa irá se afastar da banda para dar prosseguimento à sua bem-sucedida carreira acadêmica, agora rumo ao doutorado na USP. Certamente um grande futuro o aguarda, já que faz de seu presente um momento de extrema dedicação. Sucesso.

Ganhando um novo lugar no grupo, já nos primeiros ensaios, o grande Davi Scooby. Mais um membro da Família que só aumenta. Coisa boa.

Músicas novas vindo por aí. Show novo também. Esse mês é de comemoração, transição, e concentração. Junho é planejamento e trabalho. Depois vem coisa nova.

Nosso show do dia 14 será uma noite especial: comemoração do aniversário de sete anos da banda, despedida do Zé Wagner do grupo, Show com Zé Britto, pela primeira vez tocando em Teresina.

Vamos lá. O dia já vem e há algo novo esperando do outro lado da janela. Até breve.

quarta-feira, 27 de abril de 2011