quinta-feira, 22 de julho de 2010

fabulário geral do delírio cotidiano 1


Kayo, 7 anos. O menino traquino aí de cima se chama Kayo Arruda. Um dia, ele estava em casa, comigo. Eu lia uma matéria na Folha de São Paulo sobre o poeta Dante Alighieri. Uns cientistas haviam reconstituído, a partir dos restos mortais do autor, o que mais se aproximaria do seu rosto verdadeiro:



Eu via seus traços e lembrava do que é ser um poeta. Dante não diz "um lugar escuro"; Dante diz "lá, onde o sol cala". Dante não diria saber de muitas coisas; Dante diria "mais do que saber, alegra-me duvidar". Assim, vi mais graça no mundo... Até que o traquino Kayo apareceu, olhou para o jornal e disse: - Olha, Thiago, é o Chaves! ...neste momento, eu pensei: - É... Dante não sabe o que é Divina Comédia.

e daqui a pouco... Validuaté!



deixa eu explicar: várias pessoas estão perguntando a agenda da Validuaté... e digo que, por essas semanas, não nos apresentaremos. Nada grave. É simples: nossos trabalhos individuais estão tomando um tempo muito grande - e com choques de horários. Todo mundo sabe que, em Teresina, é dificílimo se sustentar com música autoral - o próprio Tom Cruise diz ser Missão Impossível. Então todos se desdobram em outras profissões. Sem contar que a vida anda e, há poucos dias, nasceu o filho do nosso querido guitarrista Vazin... Vivas ao pequeno Elias! E nosso mais garrido baterista John Well ainda se recupera de um acidente. Enquanto isso, o camarada Max nos dá uma baita força! Tudo vai ser arrumado logo logo. Estas mal-traçadas linhas são apenas pra pedir um pouco de paciência... Logo logo voltaremos às apresentações regulares e estamos preparando novidades. Validuaté e um novo show novo: acontecerá daqui a pouco. Aguarde. Obrigadón do fundo e da superfície de mi coraçón.

7° encontro poético da Academia Onírica



é pertim da praça do Fripisa:
no cruzamento da Eliseu Martins c/ Anísio de Abreu.

p/ maiores detalhes
visite o blog da Academia Onírica

http://www.poesiatarjapreta.blogspot.com/

apareça e leve seu texto!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

educação e cultura como você nunca viu


EXTRA! durante esse dias, escreverei sobre crianças e aprendizado: essas experiências de interação com toda essa cultura que nos rodeia e nos constrói.

é quando a realidade parece ficção...

O Bukowski já leu e disse - Seria bom tu colocar o nome de Fabulário Geral do Delírio Cotidiano. - Tá certo, bicho.

E na a 1º edição:
"MENINO DE 7 ANOS VÊ DANTE ALIGHIERI"

amanhã - na banca Validuaté.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Entrevista com o poeta Nicolas Behr



Na manhã do dia 3 de junho, o poeta Nicolas Behr participou do 8º Salão do Livro do Piauí – Salipi – com a palestra “A poesia é necessária?”. Em um papo livre e interativo, o poeta distribuiu poemas, vendeu livros, falou um pouco sobre sua vida e a poesia que o instiga. Porém, antes da sua fala no Theatro 4 de Setembro, tive a oportunidade de lhe entrevistar durante os 20 minutos que faltavam. Agradeço aos professores Feliciano Bezerra (Fifi) e à Jasmine Malta por terem me ajudado a encontrar o poeta. Resolvi mirar minhas perguntas em torno do seu controverso livro Umbigo, pois, nele, Behr dialoga com a literatura brasileira, cita muitos autores, critica, se exibe, copia, elogia, parafraseia e, sobretudo, provoca o leitor nas suas mais de 80 páginas.

Thiago E






Nicolas Behr – [manuseando o livro Umbigo] Esse aqui é o meu pior e o meu melhor livro... Ele tem uma coisa engraçada. Eu vou à Faculdade e falo Caraca! ...como que ainda choca o “cofrinho”.

Fifi – Jura, cara?!

Nicolas Behr – É. Em pleno 2010 ainda tem isso. Nós estamos em 2010, gente! É um “cofrinho”... Esse livro eu fiz em uma semana.

Thiago E – Eu o comprei em Brasília.

Nicolas Behr – Cê andou lá?

Thiago E – Minha banda, a Validuaté, foi tocar lá e...

Nicolas Behr – “Vaedouté”?

Thiago E – Va-li-du-a-té: vem daquelas expressões de rótulo “válido-até janeiro de não sei de quê...”

Nicolas Behr – Ah! Validuaté. Entendi.

Thiago E – É. A gente juntou e escreveu como se fala: com “i” e com “u”. Numa palavra só. Fomos fazer um show pra divulgar a banda.

Nicolas Behr – Foi no Nação Piauí?

Thiago E – Nação Piauí, exatamente!

Nicolas Behr – Eu sempre vou lá na Nação Piauí, mas não sei onde eu tava... No CONIC, né?

Thiago E – Tocamos em alguns lugares: naquele prédio Brasil21 e em um bar que eu nem sei onde é chamado Rayuela.

Nicolas Behr – Rayuela, 412, Sul.

Thiago E – Pois pronto. Foi lá que tinha o livro. Era um show só pra divulgação. A gente ía ganhar quase nada. Eu acabei ganhando acho que R$ 30,00... cada músico. Aí eu comprei teu livro (risos)... mais outro do Ferreira Gullar. Porque eu tinha lido no Peregrino do Estranho que tu tinha dito: “o Umbigo é o meu melhor livro”. Rapaz, pois tenho que ler.

Nicolas Behr – O melhor e o pior, né?

Thiago E – Eu li até marcando os versos mais...

Nicolas Behr – Ah, não! Esse aqui não tem autógrafo ainda não. Tem que ter autógrafo.

Thiago E – É, esse aqui ainda não tem autógrafo.

Nicolas Behr – É “thiago” com “th”?

Thiago E – É. Aí eu fui lendo, me diverti à beça.

Nicolas Behr – Esse livro eu fiz em uma semana, cara. Eu fiquei doido quando terminei. Eu não queria terminar. Eu ía fazer até o volume 2, mas aí ía ficar besta. O único livro que eu escrevi num fluxo... porque é muito difícil aparecer esse momento. Vendo televisão, no banheiro, no banco, vendo televisão com meu filho – jogo de futebol, sei lá, qualquer coisa...

Thiago E – Visitei teu site pouco tempo depois que eu tinha comprado o livro e tu já tinha acrescentado alguns versos “minha poesia pode ser Antônio, pode ser Fagundes, pode ser Arnaldo, pode ser Antunes” (risos).

Nicolas Behr – Eu mostrei pro Arnaldo... Mostrei isso pra ele uma vez...

Thiago E – Ele disse o quê?

Nicolas Behr – Ele achou legal. Foi numa peça em Brasília. Eu gosto dele. O Antunes é gente boa... É “thiago” com “th”?

Thiago E – Hum rum.

Nicolas Behr – Você quer publicar isso onde?

Thiago E – Eu faço parte de um grupo de poesia e temos um blog chamado Poesia Tarja Preta. Queria ver se tu pode me dar uma palavrinha pra pôr no blog.

Nicolas Behr – Vamo lá!

Thiago E – Quando tu começou a escrever? A poesia chegou ou tu foi até ela?

Nicolas Behr – Quando eu era criança, na escola eu via certas coisas, entre aspas, “erradas”. Falava pra professora “ih, professora, tá errado aqui”. E a professora falava assim “olha, isso é licença poética”. Aí eu falava “é, mesmo? eu vi isso aqui e não tá certo”!!! Ela falava “é licença poética”. Eu acho que isso que me levou, dez anos depois, oito anos depois – a escrever poesia... em Brasília... porque isso foi em Cuiabá. Em Brasília eu comecei a escrever porque Brasília é uma cidade muito estranha, né? Uma cidade diferente. Então a minha resposta pro impacto que Brasília me causou foi a poesia. Eu tentei ser guitarrista de rock’n roll, mas não sei tocar guitarra. Todo jovem quer ser pop star, né? Isso com 15 ou 16 anos. Aí eu comecei a escrever. Eu já lia bastante poesia.

Thiago E – Lia o quê?

Nicolas Behr – Ah! Eu lia tudo. Lia muito Drummond, 26 Poetas Hoje, Leminski, Chacal... depois fui conhecendo mais... Lia muito Pessoa, gostava muito de João Cabral.

Thiago E – Que ano era esse?

Nicolas Behr – 76. 75 a 76. Aí, em 77, eu lancei meu primeiro livrinho mimeografado Iogurte com Farinha. Viajei com esse livro, vim aqui ao Piauí em abril de 78, eu tinha 19 anos. Eu lembro bem. Passei aqui uma semana vendendo o livrinho em bar, dando entrevista, indo em colégio. Vendia a 1 real, 2 reais. Hoje ele não valeria mais que 3 reais, um livrinho desse. Era bem baratinho. E era bom. Fomos a Timon, tomamos banho pelado no Parnaíba... Rubervam Du Nascimento... essa turma. Era uma coisa revolucionária, na época. Era novidade o poeta vender livro, o poeta se apresentar. A turma da geração mimeógrafo trabalhou muito na coisa da desmistificação, o poeta como um ser superior, ou um ser distante, de outro planeta, um ser intocável. Esse academicismo que ainda temos bem forte. Mas o próprio poeta às vezes contribui pra isso. Auto-mistificação, sabe? Então, eu gosto muito de quebrar essa coisa porque isso distancia as pessoas do poeta, da poesia.

Thiago E – Behr, o que geralmente falam a teu respeito que te deixa chateado?

Nicolas Behr – Ah! Que eu sou um poeta sem rigor, que eu sou um cara esculhambado. Não, cara!

Thiago E – E onde tá o teu rigor?

Nicolas Behr – O rigor tá no não-rigor. Pra chegar no não-rigor, rapaz, é um rigor muito grande. As pessoas confundem o simples com o superficial. O simples é muito difícil. É mais fácil complicar. Mas eu entendo que as pessoas passando a primeira vista assim, né? Porque a poesia tá muito ligada ao hermético. E não! Eu acho que o grande poeta é simples, com profundidade, e eu tento trabalhar muito o humor. O humor é o espalhante-adesivo, é o que faz o poema aderir na pessoa e já cola. A cola do poema é o humor, a ironia, facilita o pregar na memória.

Thiago E – Por isso eu tava te falando: quando eu li o Umbigo eu não queria parar por causa disso. Por exemplo, tu dizia “minha poesia – os jasmins da palavra jamais. Ei, mas isso é de Murilo Mendes... Ah! então é minha poesia também” (risos).

Nicolas Behr – Esse livro é uma reciclagem.

Thiago E – Tinha uma hora também que tu dizia “minha poesia suporta o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança”.
Nicolas Behr – hã rã!

Thiago E – Eu: “caralho, que verso bonito”! Em seguida tinha “minha poesia queria tanto ter escrito a linha aí de cima, mas foi Drummond que escreveu” (risos).

Nicolas Behr – É. Ali tem um diálogo, tem uma conversa. Esse livro é interessante porque ele testa os limites do narcisismo e muita gente não entende isso.

Thiago E – Te acham até pedante...

Nicolas Behr – É verdade. Mas eu falo “minha poesia é pedante, mas você continua lendo... porra!” (risos). Eu não vou reescrever, se não vai ter o volume 2... Uma coisa que é uma limonada forte acaba virando uma coisa aguada... É um livro que eu gostei de escrever porque fiquei imaginando: se um Drummond, um Manuel Bandeira tivesse a liberdade de escrever um desse, o que não sairia? O que seria um Drummond e um Bandeira escrever um livro como o Umbigo “minha poesia...” Encher 80 páginas e se dar a liberdade de se permitir brincar com o narcisismo, brincar com o leitor, brincar consigo mesmo, sacanear com esse negócio de “minha poesia é de primeira linha...”, “minha poesia não é de segunda”, “às vezes, minha poesia é terceira categoria”. Auto-esculhambação é uma coisa da nossa geração. Auto-esculhambação é uma coisa muito nossa. Não é auto-flagelação!

Thiago E – É quando você ri de si.

Nicolas Behr – Isso aí já impede de muita porrada, também. É um muro que você coloca. É um escudo. O cara vai te bater... “peraí, eu já me bati”!

Thiago E – Ainda no Umbigo: “minha poesia escala o time: Drummond e Bandeira contra Rimbaud e Ezra Pound. Vai ser moleza”. Isso é uma rejeição ao Rimbaud, ao Pound?

Nicolas Behr – Os brasileiros às vezes não são tão valorizados. Rimbaud é o poeta dos poetas, tá lá no Olimpo, né? Mas eu gosto mais do Drummond! O Drummond é mais porrada! Eu acho... muito mais. O mal-estar que o Drummond me causa, o Rimbaud não me causa. É o grande poeta das imagens pápápá. É uma unanimidade. Falar mal do Rimbaud é uma coisa... Ninguém chegou tão longe nas imagens... que ele criou. Tudo bem. Mas eu gosto mais dessa coisa pé no chão. O Drummond é aquela coisa mais agreste. A poesia do Drummond te machuca mais. A do Rimbaud não. A do Drummond é mais ferina, te corta, arranca pedaço. O Rimbaud não arranca pedaço... Mas é provocação. É tudo provocação.

Thiago E – Pois é. Eu pensei: o Ezra Pound foi um dos poetas que apareceram pelos irmãos Campos e tal, e no Umbigo tem “minha poesia até hoje espera um elogio dos irmãos campos... sentada”.

Nicolas Behr – É pura provocação. O concretismo fez coisas boas. Cada poeta, cada movimento que chega tem uma proposta. E os outros que chegam aproveitam o que tem. Os concretistas foram caros em muita coisa que não havia antes: o espaço branco na página! Um elemento novo. A gente viu o espaço em branco da página e “Opa!”.

Thiago E – O branco sendo silêncio também...

Nicolas Behr – É... uma coisa que ninguém tinha sacado. O Manoel de Barros chega e põe o inútil, a inutilidade das coisas. E o João Cabral aquela coisa do agreste... Aí a poesia mais nova retomando o Oswald, mamou no Oswald. É sempre um retomar porque a tradição é feita de rejeições. A tradição é alimentada pela tentativa de quebrar a tradição. Eu vejo isso bem. Só que eu não vou virar aquilo que sempre condenei. Eu, hoje, já tenho tese, mestrado, sou chamado aqui e sou quase um veterano, a gurizada me chama de tio (risos)... Aquela coisa do beletrismo, academicismo, né? Você acaba virando uma referência, assim. Mas isso aí é tranqüilo trabalhar.




“um dia, fui numa escola falar pra gurizada sobre poesia e um aluno disse assim: ‘Professora, isso aí não é poesia não... Eu entendi tudo!”




Thiago E – Behr, como tu recebe essas críticas que os poetas da geração 70 não leram muito, não lêem... como tu vê isso?

Nicolas Behr – Poeta não gosta muito de ler, poeta quer mais é escrever. Mas eu acho que é bom ler! O pessoal me perguntou uma vez “como poeta, qual o conselho que você daria”? Eu falei assim “Ler, ler, ler. Escrever, escrever, escrever. Rasgar, rasgar, rasgar”. Aí eu fui num colégio e falei isso “Ler, ler, ler. Escrever, escrever, escrever. Rasgar, rasgar, rasgar”. Aí o menininho falou assim “Não tio. É deletar, deletar, deletar” (risos). A gente usou uma coisa interessante que foi a influência não literária, sabe? Uma influência que foi da leitura, obviamente, mas também do vídeo game, do vídeo clipe, do rock, da MPB, das letras. Teve várias influências ou confluências, como diria o Mário Quintana, fora do ambiente literário. Eu acho que leu, mas o tempo não pára, é uma outra geração. Leu assim: sei quem foi Camões e Os Lusíadas. Se você me perguntar se eu li tudo, não li. Já li o começo, já folheei e tal... sei do que se trata. Dizem que você só pode romper com a tradição conhecendo a tradição. Mas hoje a velocidade da informação é tão grande que não dá pra conhecer ela toda. Dá pra ter uma idéia. O tempo é muito rápido, cada vez mais rápido. Agora com internet então a coisa tá com uma velocidade estonteante. Eu sempre falo nos colégio “gente, vai ao Orkut, na comunidade do Fernando Pessoa...”.

Thiago E – Aí já dá uma luz nova.
Nicolas Behr – É, a linguagem é essa: “vai no Orkut... começa pelo Orkut... mas você não vai ficar só no Orkut, não!” É um começo, né?

Thiago E – É mesmo. Eu sou professor de língua portuguesa, redação, literatura... e sempre que vou dar um exemplo eu também levo pra esse mundo deles “no MSN a gente escreve desse jeito. Isso aqui vem disso... ôba!” Quando eu falo MSN, a turma já fica em silêncio.
Nicolas Behr – A turma “Professor... tem Orkut”! Bacana.

Thiago E – Te perguntei sobre “a crítica de não ter lido muito” porque o Leminski tem um poema em que ele já responde isso.

[telefone toca] Nicolas Behr – Oi, oi! ... bom dia. ...Ôba, tudo bom, minha amiga... não... mas pode falar. to longe. to no Piauí, pode falar........... hum......... hã rã....... você tá pela pista....... você sabe onde é aquele ferro velho barbosa, lá em cima..... sabe? depois do São Cristóvão... é melhor você ir lá. Depois do ferro velho Barbosa tem uma pista que desce... chega lá em baixo tem o quê? ........... vai reto. é uma pista larga. Na hora que chegar lá embaixo, vire à direita, segunda chácara. Tá bom? é fácil. tá bom. Valeu. Beijo. Tchau.

Nicolas Behr – Então o Leminski responde com um poema...

Thiago E – Ele diz “poeta marginal / é quem escreve na entre linha / sem nunca saber direito / quem veio primeiro / o ovo ou a galinha”.

Nicolas Behr – É.

Thiago E – Tu também fala “minha poesia é a poesia experimental de um poeta não-experimental”. E quem fala sobre isso é o Piva, quando ele diz “eu só acredito em poeta experimental que tenha vida experimental”.

Nicolas Behr – Tem umas coisas aí que são uns conflitos. Por exemplo, o Torquato diz que “um poeta não se faz com versos”. Isso foi muito marcante pra gente. A gente colocou dentro do poema uma coisa que não vai permanecer: a atitude do poeta. Mas isso não vai permanecer porque, daqui a cem anos, vai ficar o que tá escrito. Meu lema é “vale o que tá escrito”. O Piva tem lá a vida experimental dele e tal, mas o que vai ficar não é a vida experimental do Piva, é o texto escrito, sabe? Isso aí é mais outra provocação.

Thiago E – Eu te perguntaria mais coisas, mas tu já vai falar. Me diz: o século XXII te dará razão?

Nicolas Behr – Olha, nós somos todos póstumos. É um consolo. Nosso consolo é esse. A gente vive nessa ilusão e essa ilusão faz a gente viver: nós somos todos póstumos e a melhor coisa que pode acontecer com o poeta é morrer. Poeta bom é poeta morto. Então: republicado, antologia, nome de rua, nome de escola. Essa ilusão alivia e consola. Ela é um combustível. A pessoa viver é ir ali na esquina e voltar. Tudo pra gente é mais difícil. A poesia dá uma leveza, é uma bengala psíquica pra seguir em frente, tocar sua vida, mas essa ilusão é importante. Na verdade não é uma ilusão, é uma fantasia. Fantasia de que a gente vai ter reconhecimento futuro, de não sei o quê. Mesmo que não tenha. Mas a gente alimenta tudo. Essa ilusão é boa. Eu acho que ela faz parte. Tem um poema meu sobre a vida em 2070: “estaremos todos mortos / estaremos todos errados”.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

6° encontro poético da A.O. - noite HILDA HILST



Academia Onírica -> poemas

Sonoridades -> Fagão, Fábio Espiga, Madão

Exposições -> Thalita Ciana (fotografias) + Vítor Sampaio + Jardel Castro (artes plástica)

Vídeo -> quem tem medo de arte contemporânea

Onde/quando -> Canteiro de Obras
rua Elizeu Martins
com Anísio de Abreu,

dia 24/06 às 20h

Entrada = $ 2 reais
(grátis o lote 6 do zine academia onírica)

terça-feira, 25 de maio de 2010

5º enc. poético – noite Rubervam Du Nascimento


academia onírica + rubervam + cine rex brasil


poeta Rubervam Du Nascimento
----> fotografias Kátia Barbosa

A noite do 5º encontro poético será ocupada pela presença e performances do poeta Rubervam du Nascimento, que na ocasião pré-lançará seu novo livro Os Cavalos de Dom Ruffato. A noite vai contar com as bases sonoras da banda Cine Rex Brasil, com uma exposição fotográfica de Dogno Içaiano e com a exibição do documentário Quem tem Medo de Arte Contemporânea. No decorrer da noite, também será lançado o livro Fanzine: Autoria, Subjetividade e Invenção de Si, obra coletiva organizada pela professora Cellina Muniz e composta por 7 artigos de pesquisadores de vários lugares do país, que tomam os fanzines como foco de discussão e reflexão.

Os Oníricos lembram que a participação é livre, então leve e fale seu poema!!!

Quando: Quinta agora, 27 de maio, às 20h.
Onde: orbital cultural canteiro de obras
vulgo: Quintal do Kilito(Anísio de Abreu com Eliseu Martins)

Entrada: $ 2 reais – grátis o zine Academia Onírica nº 5

maiores informações no blog do grupo Academia Onírica
http://www.poesiatarjapreta.blogspot.com/

as mães de antigamente




Coisas que nossas mães diziam e faziam... Forma - hoje condenada pelos educadores e psicólogos - que funcionou com a gente. E por isso não saímos seqüestrando a namorada, nem matando os outros por aí.

Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO...
"ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!"

Minha mãe me ensinou a RETIDÃO.
"EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PORRADA!!!"

Minha mãe me ensinou a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS..
"SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!"

Minha mãe me ensinou LÓGICA E HIERARQUIA..-.
"PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?"

Minha mãe me ensinou o que é MOTIVAÇÃO...
"CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!"

Minha mãe me ensinou a CONTRADIÇÃO...
"FECHA A BOCA E COME!"

Minha Mãe me ensinou sobre ANTECIPAÇÃO...
"ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!"

Minha Mãe me ensinou sobre PACIÊNCIA....
"CALMA!... NÃO SE PREOCUPE... QUANDO CHEGARMOS EM CASA, AÍ SIM, VOCÊ VAI VER SÓ..."

Minha Mãe me ensinou a ENFRENTAR OS DESAFIOS...
"OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!"

Minha Mãe me ensinou sobre RACIOCÍNIO LÓGICO...
"SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E AÍ EU VOU TE DAR UMA SURRA!"

Minha Mãe me ensinou MEDICINA...
"PÁRA DE FICAR VESGO MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE."

Minha Mãe me ensinou sobre o REINO ANIMAL...
"SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!"

Minha Mãe me ensinou sobre GENÉTICA...
"VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!"

Minha Mãe me ensinou sobre minhas RAÍZES...
"TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA, É?"

Minha Mãe me ensinou sobre a SABEDORIA DE IDADE....
"QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER."

Minha mãe me ensinou RELIGIÃO....
"É MELHOR VOCÊ REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!"

Minha mãe me ensinou o BEIJO DE ESQUIMÓ...
"SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!"

Minha mãe me ensinou CONTORCIONISMO...
"OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!"

Minha mãe me ensinou DETERMINAÇÃO..-.
"VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!"

Minha mãe me ensinou habilidades como VENTRÍLOQUO...
"NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?"

Minha mãe me ensinou a SER OBJETIVO...
"EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!"

Minha mãe me ensinou a ESCUTAR...
"SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!"

Minha mãe me ensinou a TER GOSTO PELOS ESTUDOS..
"SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!..."

Minha mãe me ajudou na COORDENAÇÃO MOTORA...
"JUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR UM!!"

Minha mãe me ensinou os NÚMEROS....
"VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!"

Minha Mãe me ensinou sobre JUSTIÇA...
"UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO ELES FAÇAM PRA VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!"

brigadão, Mãe!!!